Voluntários da Defesa Civil salvam vítimas da chuva há 10 anos em BH


Toda vez que chove mais de 40 milímetros, o ribeirão Arrudas, no cruzamento das avenidas Tereza Cristina com Presidente Castelo Branco, no bairro Vila São Paulo, na divisa de Belo Horizonte com Contagem, se transforma em um verdadeiro mar. A água encobre até as muretas de proteção do Arrudas e ninguém sabe onde é avenida, onde é ribeirão.

Nos últimos dez anos, moradores da vizinhança e motoristas que passam pelo local contam com dois verdadeiros “anjos da guarda”, que já salvaram muitas vidas.

A dona de casa Márcia Gonçalves, de 52 anos, e o marido dela, o metalúrgico José Pereira da Costa Neto, de 56, são voluntários da Defesa Civil há mais de dez anos. 

Toda vez que há previsão de que o rio vai transbordar,  o casal recebe mensagens da Defesa Civil da capital, por rádio de comunicação ou SMS, e os dois, muitas vezes, saem da cama quentinha, de madrugada, colocam coletes fornecidos pela Defesa Civil e fecham a avenida com cones, faixas zebradas, e desviam o trânsito com lanternas sinalizadores,  tipo aquelas de aeroporto, para evitar que carros sejam arrastados pela correnteza. 

O casal não recebe nada pelo serviço. “Só a satisfação de salvar uma vida já vale a pena. A nossa prioridade é salvar vidas”, disse Márcia. Ela conta que, assim que recebe o alerta da Defesa Civil, ela e o marido correm para a avenida e começam a fechar a via com cones.

Márcia fala que antes os motoristas não respeitavam o alerta deles e corriam risco entrando com os veículos na área alagada.  Em uma ocasião, ela lembra que policiais militares não respeitaram o alerta deles e a viatura começou a ser arrastada pela correnteza.

 “Nós cercamos a viatura com dois policias, mas eles não quiseram escutar a gente desceram a avenida com o carro. A onda veio muito forte, com quase dois metros de altura, e eles precisaram sair com o carro de ré, às pressas”, lembra a dona de casa, que foi treinada pelo Corpo de Bombeiros para resgatar pessoas.

Depois de enfrentar o perigo em frente à casa dela, Márcia conta que ainda presta socorro aos moradores de uma rua próxima, onde a água atinge dois metros de altura. Quando as pessoas perdem tudo, Márcia e o marido as levam para passar a noite na casa deles.

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