Usuários reclamam de ônibus lotados em semana de fechamento do comércio em BH


Quem depende dos ônibus do transporte público da capital para trabalhar enfrenta dificuldade para manter o distanciamento social indicado para a prevenção do coronavírus. Desde a última segunda-feira, quando as atividades não essenciais foram fechadas em Belo Horizonte, usuários reclamam de redução do número de coletivos nas ruas e lotação dos veículos.

A auxiliar de serviços gerais Thais Santos, 28, pega ônibus todos os dias para trabalhar na cidade e notou piora no serviço nesta semana. Ela usa máscara e passa álcool em gel nos coletivos, mas, ainda assim, sente medo. “Os horários estão reduzidos, e os intervalos entre os ônibus, maiores. Com isso, os ônibus estão ficando muito cheios”, conta.

A enfermeira Andreia Rocha, 45, chegou a perder o ônibus duas vezes nesta semana por causa das mudanças nos horários. “Está mais difícil pegar, e os ônibus estão cheios. Fico com muito medo”, diz.

Segundo o motorista de coletivo Robson Lopes, 50, a situação dos ônibus, que já não estava boa, piorou nesta semana. Ele conta que, ainda hoje, passados mais de dois meses desde que o uso da máscara se tornou obrigatório na capital, há resistência por parte dos usuários. “Tem mais gente, a aglomeração está muito maior, e todo dia tenho problema com passageiro sem máscara que quer embarcar no ônibus. As pessoas têm de se conscientizar que existe um decreto da prefeitura que precisa ser cumprido”, afirma.

A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) não informou quantas viagens por dia estão sendo realizadas nesta semana — os números ainda não foram fechados. Na semana passada, entre 22 e 26 de junho, eram cerca de 14.400 viagens diárias, em média.

Segundo a BHTrans, o quadro de horários foi adequado conforme a demanda, e, todos os dias, a operação do sistema é analisada. “Havendo necessidade, são feitas adequações para o dia seguinte”, disse a empresa, em nota.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) também não informou quantas viagens passaram a ser realizadas por dia nesta semana. De acordo com a entidade, durante a segunda fase de flexibilização, iniciada em 8 de junho e mantida até o último domingo, eram cerca de 15 mil, para uma demanda de 500 mil passageiros. Antes da pandemia, os ônibus realizavam em torno de 24,5 mil viagens, transportando até 1,2 milhão de pessoas por dia.

Ainda segundo o SetraBH, ônibus reservas estão à disposição nas estações de integração Pampulha, Venda Nova, Vilarinho, São Gabriel, Diamante e Barreiro, para a realização de viagens extras quando necessário.

Empresas receberam mais de 6.000 autuações por descumprimento de decretos

A BHTrans aplicou 6.703 autuações contra os consórcios de empresas de ônibus da capital por descumprimento de decretos municipais estabelecidos para prevenção do coronavírus no transporte público. As concessionárias foram autuadas por transportar passageiros em pé ou acima do limite e por causa de veículos sem álcool em gel. O número foi contabilizado até 26 de junho.

As empresas precisam cumprir uma série de normas, estabelecidas nos decretos 17.362 e 17.365, como disponibilizar e reabastecer recipiente com álcool em gel no salão dianteiro dos veículos e garantir a redução do número de passageiros. São permitidas viagens com pessoas de pé, mas com limite de 20 em ônibus articulado, dez em ônibus convencional e cinco em miniônibus.

Nos dias úteis, os intervalos entre as viagens não podem ser superiores a 30 minutos nos horários de pico nem a 40 minutos nos horários fora de pico.

De acordo com a BHTrans, agentes monitoram e fiscalizam todas as estações de ônibus da capital diariamente, além de  pontos de observação ao longo dos itinerários das linhas. A fiscalização também é feita por meio de câmeras do Centro de Operações da Prefeitura (COP).

Já o SetraBH informou que foram instalados recipientes com álcool em gel em toda a frota, nas bilheterias e linhas de bloqueio das estações. Os veículos foram adesivados indicando a posição para o passageiro que viajar de pé, e a higienização dos coletivos foi intensificada.

Metrô. O horário do metrô de Belo Horizonte também foi reduzido desde o início da semana, devido ao fechamento do comércio não essencial na capital. O sistema passou a operar das 5h40 às 9h e das 16h30 às 20h, com intervalos de 15 minutos entre as viagens de segunda à sexta-feira. Aos finais de semana, os intervalos variam de 20 a 30 minutos.  

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