Universidades em defesa da vida



Com este artigo iniciamos uma série sobre a atuação das universidades públicas federais durante a pandemia de Covid-19, num contexto em que o governo federal afrontou evidências, produziu fake news, subfinanciou o SUS, atacou estados e municípios, desprestigiou os profissionais de saúde que atuavam na linha de frente em cenário de guerra, negou a ciência e a vacina – retardando, inclusive, sua compra e aplicação ? e foi insensível com o adoecimento de milhões e com a morte de centenas de milhares de brasileiros.

Apesar do contexto adverso, as universidades públicas, articuladas com o SUS, tornaram-se bastiões fundamentais em defesa da vida. Foram protagonistas da produção de ciência em tempo real, referências no cuidado e no acolhimento, no apoio aos doentes e suas famílias, em especial das pessoas em situação de vulnerabilidade.

O Centro SoU_Ciência, em parceria com a Andifes (Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino) realiza uma pesquisa sobre o tema e em junho publicará um Painel apresentando todas as frentes de atuação e iniciativas de nossas universidades federais, seus hospitais universitários, laboratórios de pesquisa e inovação tecnológica, ações sociais e de extensão, sistemas de monitoramento e orientação a gestores. O resultado da mobilização das universidades, em seus diversos cursos, não apenas na área da saúde, tem sido uma impressionante força biopolítica, na garantia de direitos e em defesa da vida, diante da necropolítica que nos cerca ? não à toa as universidades públicas foram um dos principais alvos de ataques do obscurantismo que preside o país.

Dentre as reconfigurações, novos arranjos e inovações implementadas para atuação na pandemia. Entre diversas outras, chama a atenção e merece destaque a expansão das ações no campo da telessaúde, abarcando um conjunto de iniciativas e modalidades de saúde digital.

A Covid-19 produziu novo impulso global na telessaúde, tendo em vista a necessidade emergencial de realizar orientações e triagens para desafogar o sistema hospitalar ? já hiperlotado e à beira do colapso. No Brasil, as universidades públicas, desde o primeiro mês da pandemia, foram fundamentais no avanço da telessaúde em várias modalidades, assim como no desenvolvimento de aplicativos e sites, na colaboração com o SUS, e no atendimento à distância.

Milhares de estudantes e docentes da área de medicina, enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional, serviço social, nutrição e psicologia foram mobilizados. E, na outra ponta, estudantes de tecnologia da informação, ciências da computação, engenharias, design, comunicação e jornalismo, na produção de novos softwares e apps, painéis de monitoramento, visualização de dados, georreferenciamento e desenvolvimento de bancos de dados em tempo real.

Na pesquisa realizada pelo SoU_Ciência, 59% das universidades federais declararam ter atuado fortemente no avanço da telessaúde e instaurado novos centros e sistemas em parceria com laboratórios de tecnologia, prefeituras, governos estaduais e, claro, com o SUS. Os números apresentados no gráfico abaixo são dinâmicos e poderão crescer com a mudança na conjuntura, com aumento provável da telereabilitação em função da Covid longa, ou mesmo com atualização de dados no painel do SoU_Ciência.
Leia mais (05/20/2022 – 07h00)

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