Tóquio, muito além das Olimpíadas

No filme “Encontros e desencontros”, de Sofia Coppola, Scarlett Johansson está com sono, mas não consegue dormir. Ela passa um tempão na janela de seu hotel em Tóquio. Do alto, a cidade é um emaranhado incompreensível de arranha-céus e concreto. Na hora em que ela e Bill Murray descem às ruas, porém, ela muda de astral e o filme muda de cor. Iluminadas pelos espalhafatosos letreiros de neon, as pessoas andam e riem nas calçadas, bebem e cantam nos karaokês, jogam vídeo game e dançam nos fliperamas.

A oposição entre os prédios gigantescos e a animação no nível da rua se multiplica em muitos outros contrastes: entre a multidão amorfa e os gestos de cortesia individual; entre o PIB trilionário e a delicadeza humilde de uma lojinha familiar; entre os viadutos extensos e as acolhedoras ruazinhas compartilhadas; entre os executivos de terno e as meninas de peruca rosa; entre a paz do parque Shinjuku e a muvuca do cruzamento de Shibuya; entre a tecnologia dos robôs que conversam com turistas no aeroporto e a simplicidade dos ryokan, aquelas pousadinhas tradicionais, com paredes de papel e madeira, tatame no chão e quase sem móveis.
Leia mais (07/30/2021 – 07h00)

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