Todo comércio de rua poderá ser aberto daqui a uma semana


A primeira fase de abertura do comércio em Belo Horizonte, que vai permitir o retorno das vendas de cerca de 10 mil empreendimentos a partir desta segunda-feira (25), deixou de fora lojas de roupas, acessórios e calçados. Mas, internamente, o comitê responsável pelo planejamento das ações trabalha com a data de primeiro de junho para a volta das atividades de todos os demais empreendimentos de rua da capital. A informação é   do presidente do Sindicato do Comércio Lojista de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), Nadim Donato, que, segundo ele, vem acompanhando de perto os trabalhos do Executivo.  

Caso não haja um aumento expressivo no contágio de Covid-19 na capital ao longo desta semana, na outra segunda-feira (1), o total de lojas de portas abertas vai pular para 28 mil. Ficariam de fora ainda os estabelecimentos localizados em galerias, shoppings, além de bares e restaurantes. A data de funcionamento dessas outras atividades será analisada nas próximas semanas.

“A prefeitura se baseou no número de estabelecimentos em cada setor. E a maioria das lojas são de vestuários, acessórios e calçados. Por isso, não começou logo na primeira semana com esses empreendimentos. O processo foi dividido em etapas para avaliar como vai se comportar a curva de contágio do coronavírus”, conta Donato.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) confirma que novas atividades poderão ser retomadas no dia primeiro de junho, mas não informa quais. Segundo o Executivo, “a flexibilização deverá seguir regras gerais estabelecidas pelo Comitê, em articulação com o Grupo de Trabalho de Reabertura Gradual (formado por representantes do Executivo, do Legislativo e entidades representativas do comércio e da indústria)”.

Integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da PBH, o infectologista Estevão Urbano, conta que na sexta-feira (29) haverá uma reunião para avaliação dos indicadores da capital. “Estamos com muitas dúvidas. Existe sim um calendário que pode ser alterado ao longo da semana. É que em uma pandemia, onde não sabemos o comportamento do vírus, temos que ir nos adequando de acordo com as demandas. Pode haver necessidade inclusive de voltarmos atrás e fecharmos o que está aberto”, afirma o infectologista. Os indicadores que vão balizar esse processo de abertura são o percentual de internação em terapia intensiva e em enfermarias e a velocidade de contágio da doença. 

Ainda segundo Urbano, até o momento, o único consenso existente entre os integrantes do comitê é sobre o quanto é uma manobra perigosa reabrir o comércio. “A abertura é sempre arriscada, mas se a gente for esperar ter uma vacina, isso pode demorar um ano e é muito tempo. Então decidimos abrir com cautela. Mas todo mundo está bastante preocupado porque não temos controle sobre as pessoas para garantir que elas vão se proteger. Vamos fiscalizar o comércio, mas não dá para garantir que todos os estabelecimentos vão seguir as normas de segurança”, afirma.

Enquanto a prefeitura tenta descobrir a melhor forma de retomar a atividade econômica da cidade em segurança, a parcela dos lojistas que ficou de fora da primeira onda de abertura de estabelecimentos teme não conseguir segurar por muito tempo os prejuízos.

Como a empresária Poliana Ferreira Barreto Batista de Oliveira, de 37 anos, que tem duas lojas de vestuário, a Flor de Lótus, sendo uma no bairro Floresta e outra no Santo Antônio. “Desde o dia 20 de março, quando fechei as portas, já deixei de faturar R$ 60 mil e acumulei gastos de R$ 80 mil. Isso sem contar que uma das minhas lojas tinha sido invadida por um enchente em fevereiro deste ano, com um prejuízo de R$ 8.000. Dou conta de segurar essa situação só até o próximo dia primeiro”, afirma. 

Proprietária da Complemento Bouttique, Flávia Sana Avelar, de 43 anos, já sabe que vai precisar de um empréstimo para garantir capital de giro quando tudo voltar ao normal. Ela, assim como Poliana, questiona os critérios usados pela prefeitura na escolha dos setores a serem abertos.

“Eu não tiro a razão da prefeitura, acho que até o momento as medidas foram de cautelas e adequadas. Mas, achei incoerente eles liberarem shoppings populares que vão aglomerar muito mais pessoas do que a minha loja e eu ter que manter as portas fechadas. Eu levei um susto quando vi esse decreto”, afirma. 

Em nota, a PBH disse que: “os setores que podem voltar a funcionar foram definidos de acordo com o respectivo risco sanitário, de aglomeração e de permanência das pessoas envolvidas”.

 

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