Suspeito de abusos sexuais contra meninas fazia festa do Dia das Crianças


Religioso, considerado boa pessoa e admirado por fazer festas para crianças todo 12 de outubro: assim o empresário de 45 anos investigado por abusos sexuais, contra meninas de 9 a 12 anos, era conhecido em Mateus Leme, na região metropolitana de Belo Horizonte. Nesta quarta-feira (27), a reportagem de O TEMPO esteve no bairro em que o homem vivia com a companheira. Lá, vizinhos ainda tentam entender como dono do supermercado, considerado “acima de qualquer suspeita”, foi preso e autuado por estupro de vulnerável.

Segundo moradores, o comerciante mora na região há cerca de 20 anos, e era conhecido por ter uma boa relação com todos. “Ele era um ótimo vizinho, gente boa, sempre alegre, não esperava isso dele de jeito nenhum. Um dia estava saindo para fazer caminhada e vi um carro de polícia parado na porte dele, pensei que fosse parente, mas depois soube desse caso”, contou um morador da área, que pediu para não ser identificado.

Segundo ele, no Dia das Crianças – data em que católicos também comemoram o dia de Nossa Senhora Aparecida – o homem tinha o costume de fazer uma festa em casa e chamar, além da família, crianças da região. No evento era servido um almoço e, logo depois, distribuídos diversos doces. Ainda conforme vizinhos, o homem é devoto de Nossa Senhora e mantém um oratório na residência. 

“Este ano ele me chamou para ir, mas não deu para almoçar lá. Sempre vem muita gente para esse almoço. Eu sou avô e, se fosse com alguém da minha família, ficaria louco. Estou estarrecido com isso porque mexeu com crianças. Se for verdade, acho que ele não sai tão cedo da prisão. Se ele fez isso tem que pagar”, afirmou o vizinho.

De acordo com a Polícia Civil, não há, por enquanto, indícios que o homem tenha cometido algum abuso durante as festas do Dia das Crianças. 

Choro

O empresário tem um supermercado na cidade, e foi no comércio que a polícia cumpriu o mandado de prisão preventiva contra ele. No estabelecimento, de acordo com a Polícia Civil, o homem teria passado as mãos das partes íntimas de uma das vítimas.

“Ao saber do caso, a mulher dele chorou muito, ela está bastante abalada, não esperava que o marido fizesse isso”, destacou o vizinho. O casal não tem filhos. 

A reportagem esteve no comércio para a companheira do suspeito não estava. Funcionários não comentaram o caso e afirmaram que não tinham nenhum número de telefone dela que pudessem passar para a imprensa.

Repercussão 

No bairro em que o supermecado funciona, moradores também estavam perplexos enquanto liam a notícia. “Só Deus para tomar conta de uma pessoa assim. Como pode fazer isso? Mexer com crianças é inaceitável”, disse, son anonimato, uma mulher que frequenta o supermercado.

A defesa do empresário não foi localizado para comentar o caso. 

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