Somos insensíveis a 100 mil mortes?



Na clínica, são conhecidos os casos nos quais a pessoa perde um ente querido, não esboça reação a altura do acontecimento, para depois colapsar frente a um procedimento odontológico. Um fato menor pode servir de índice para outra coisa e desequilibrar as defesas.

O país que convulsionou diante de R$ 0,20 a mais no valor da condução segue como zumbi frente a quebra da barreira de 100 mil mortos. Os centavos se prestaram a imantar um conjunto de forças até então inconscientes, cujos nefastos desígnios só se revelaram inteiramente a posteriori. A insensibilidade às mortes, por sua vez, também revela algo sobre quem somos e nossa história.

O sofrimento humano não é um dado absoluto, ele está ligado ao reconhecimento. Levamos anos de conscientização social e análise pessoal para reconhecermos que ser xingada e agredida não são provas de amor apaixonado, mas de uma relação abusiva e violenta. Anos para que as mulheres se reconhecessem vítimas e não culpadas por contrariarem homens que as humilham, espancam e matam.
Leia mais (08/10/2020 – 23h15)

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