Sobre Paisagens

Há dias, o buscador Bing, vide Windows 10 (quem precisa do 11?), insiste em mostra-me paisagens da Irlanda. Só não especifica se é do Norte ou do Sul. Que importa? Essas divisões só atendem a caprichos religiosos e políticos.

Enfim, aparece na tela do notebook a abadia de Kilemore, Connemara. Uma edificação castelar (ousadia minha). Então, vem à minha mente aquele saudosismo do mundo distante, todo um folclore é elaborado. Surgem lembranças de filmes épicos que nunca assisti e lendas contadas pela metade. Impossível não lembrar de “A Guerra dos Tronos”, um livro que virou uma das mais bem-sucedidas séries da década que se encerra – filmada na Irlanda (quem quiser assistir basta dar um Google e achar todas as temporadas disponíveis gratuitamente online ou para download).

Uma espécie de série começa a ocupar a minha mente. Guerras sangrentas, elfos, druidas, James Joyce com seu livro ‘Ulisses”, uma banda como U2, Enia e toda uma salada daquilo que entendo como Irlanda. Muitas vezes, criar uma ideia de país parece mais empolgante que estar, de fato nele. Não duvido que alguém lá no Congo (África) conheça a Irlanda como a palma da mão sem nunca ter pisado naquelas terras em vida, pelo menos…

Fica-me a impressão de que nesse “universo” de quase 8 bilhões de seres humanos somos fadados às lendas, às crendices, às verdades reinventadas, às mentiras bem vestidas, ao que salta diante dos olhos. Isso parece bastante para nossa existência rasa.

Mas quão linda e medieval é tal abadia (embora seja uma obra gótica de 1868). Quanto silêncio em suas acomodações. Duvido muito desse silêncio em tempos de Wi-fi. Acabo presumindo que a função dos mundos distantes é estimular a imaginação. Que importa o que é verdadeiro ao senso comum diante da verdade em cada cérebro? Fica essa indagação aos filósofos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

4 × 1 =