Quem sou eu nessa história? – Por Leonardo de Magalhaens #temporadadetextos

Fonte: Pixabay

Sonhei que estava num avião um voo comercial, um boeing, com muitos passageiros,

nos céus dos Estados Unidos, e o avião estava com algum problema. Anoitecia, e o voo perdia altitude, e começou a cair sobre uma floresta.

         O piloto avisou que todos se preparassem. Muitos estavam em pânico. A senhora ao meu lado, na janela, gritava. Lá atrás uma porta se abriu. O piloto falava algo como 150 metros – ou 15 metros? Então eu me encolhi no banco. O impacto nas árvores – e um escuro. Eu morri?

         Acordei num hospital horas depois. Cabeça enfaixada, médicos ao redor. Eu acordava de um curto coma? Um sono induzido? E aí olhei ao redor e vi outro sobrevivente morrendo numa maca, enquanto era operado – com um fragmento no crânio e em um olho! 

         Ao meu lado uma mulher jovem conversava comigo. Enfermeira? Psicóloga? Não, ela era uma policial, uma detetive. Estava investigando o acidente. Realmente um acidente? Ou foi um atentado de terroristas?

         Sentado na cama e olhei ao redor. As memórias começavam a voltar. Mas quem eu era? Por que estava naquele voo comercial? Para onde eu viajava?

         A mulher me perguntava se eu podia falar – e que outras pessoas já haviam falado. Se eu me lembrava de algum detalhe. Alguém suspeito no avião? Se tinha visto a porta se abrir e alguém pular de paraquedas.

         Realmente me lembrava – um paraquedas descendo… Era vermelho ou laranja?

         Então ao conversar com a detetive o que aconteceu antes vai se revelando. Eu reconheço algumas sobreviventes. Elas estavam nos assentos do corredor antes do impacto. Uma moça e sua mãe. Parecem latinas. E como elas sobreviveram? E como eu sobrevivi?

         Acontece que na hora do impacto eu me encolhi todo, abracei as pernas. E só feri a cabeça porque o bagageiro caiu sobre mim. A senhora ao meu lado, na janela, não sobreviveu.

         E a detetive vai anotando – e mostra reportagem na TV sobre o acidente (?) e o Secretário de Defesa e o militar encarregado do caso. Todos céticos quanto a salvar o voo e os passageiros. Nada puderam fazer? E mostra uma imagem feita com drone.

         Realmente me lembro de ver ‘algo’ seguindo o voo – era um drone? Um drone azul que parece um inseto gigante ou um punho voador! Não era um delírio! O voo era seguido pelas forças de segurança. Por que? Sabiam de terroristas a bordo?

         Sou informado que o piloto foi obrigado a seguir voo até acabar o combustível. E que alguém pulou de paraquedas sobre a floresta – alguém ainda não encontrado. Quem teria um paraquedas? Possivelmente o terrorista.

         Se eles sabiam tanto por que ficavam me atormentando com estas perguntas? E mostrava imagens de desespero das pessoas – de que câmeras?

         Ela me informa friamente. Suas câmeras. Você era o responsável pela segurança.

         Eu era o ASV de bordo. Não lembrava. Devia estar atento a tudo. Mas agora só uma pergunta me atormentava. Onde diabos está minha arma?

Leonardo de Magalhaens

Leonardo de Magalhaens

Poeta, escritor, crítico literário, revisor , tradutor, Bacharel em Letras pela Fale/UFMG

Para serviços de tradução, crítica e prefácios façam contato:

leomagalhaens3@gmail.com

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