Quem levará o crédito?



A combinação de segunda onda e a descoberta da vacina inauguram uma nova fase no jogo da responsabilização na crise sanitária. Na primeira onda tivemos 27 pandemias, como enfatizei aqui. Na onda atual a pandemia nacionalizou-se e se espalhou por todo o território. E mais importante: a política da vacina federalizou-se.

Na primeira onda, o padrão da pandemia caracterizou-se pela difusão temporal desigual em alguns poucos estados e capitais, o que gerou um processo emulativo nas respostas subnacionais à crise. A principal consequência deste processo foi a gradativa desresponsabilização do governo federal.

Nos meses iniciais da pandemia a estratégia de Bolsonaro de deslocamento dos custos políticos da crise sanitária era clara: buscava transferi-los para as esferas subnacionais de governo. O pressuposto era que a crise era tóxica tanto pelos seus aspectos sanitários quanto econômicos. O caráter descentralizado de gestão do SUS facilitava a transferência de responsabilidade; esperava-se que inexoravelmente governadores e prefeitos arcariam com o custos políticos envolvidos. E isso também valeria para ações envolvendo quarentena e lockdowns.
Leia mais (12/20/2020 – 23h15)

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