Quem é o responsável?



“Os príncipes devem transferir as decisões importunas para outrem, deixando as agradáveis para si.” Maquiavel acerta no conselho aos governantes, mas os mecanismos de reivindicação de crédito por acertos e transferência de culpa por decisões impopulares que impõem custos à população são complexos.

Em princípio, esperamos que o eleitorado premie o bom desempenho e puna o mau. Mas em situações de pandemias e desastres naturais, pesquisas mostram que os eleitores respondem emocionalmente punindo os incumbentes mesmo quando não existe nenhuma razão para lhes atribuir responsabilidade por tais eventos. A lógica é “descontar no cachorro a raiva por um mau dia”, como afirmam os cientistas políticos Larry Bartels e Christopher Achen.

Substituir a emoção pela avaliação do desempenho equivale à falência da “accountability” democrática: os políticos não teriam incentivos para o bom desempenho e deveriam contar apenas com a sorte.

Seus críticos contra-argumentam que ocorre maior punição em situações de calamidade, porque elas criam uma janela para o eleitorado observar seu representante em ação. Os eleitores agiriam racionalmente e não emotivamente, concluem Scott Ashworth e coautores, punindo políticos durante crises, porque só nelas podem observar o “tipo verdadeiro” de representante que têm e punir os maus.
Leia mais (04/06/2020 – 01h00)

Fonte do link

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

4 × 4 =