PSDB liga os motores

Quando anunciou o interesse de que seu partido assumisse o protagonismo das eleições mineiras de 2022, o ex-governador Aécio Neves adicionou mais uma variável em uma equação que parecia ser fácil de resolver. A dicotomia entre Zema e Kalil, que imita a disputa pelo governo federal, parecia ser tudo o que o eleitor teria pela frente na hora de escolher o próximo governador. Agora, essa simplicidade de escolha parece longe de se concretizar.

Relatos na imprensa dão conta de que, após alguma indecisão, os tucanos estão prestes a definir seu candidato ao governo mineiro. Há notícias de que ainda havia, no campo do PSDB, quem defendesse parceria com a chapa de Zema; porém, faz mais sentido acreditar em outro motivo para a demora dos tucanos em alçar voo solo.

Quem observa o atual governador, assim como seu núcleo imediato, vê que a temática das alianças com políticos tradicionais nunca foi um assunto levado a sério. Aceitar apoios, evidentemente, é algo sempre bem-vindo; porém, formar aliança implica em ceder poder, modular o discurso, reformar a própria identidade do governo – isso nunca esteve em pauta. Em caso de dúvida, basta pesquisar por qualquer ato de Zema que reflita esse tipo de comprometimento em relação aos parcos partidos que foram parceiros de seu governo.

Longe de aspirar por um papel subalterno em um eventual segundo mandato de Zema, o que fazia o PSDB mineiro retraído nos últimos dias era a espera por um posicionamento mais decidido de seu filiado mais famoso, o ex-governador Aécio Neves. Isso porque, após o empurrão inicial na campanha mineira, Aécio passou a se dedicar à temática nacional, especificamente à tentativa de lançar Eduardo Leite como candidato à Presidência pelo PSDB.

Deixar a política mineira de lado em favor das luzes de Brasília foi o “pecado original” que custou a Aécio a derrota em 2014 – afinal, foi em Minas que Dilma obteve a pequena diferença que lhe valeu a vitória nas urnas. Porém, em 2022, a agenda nacional perdeu o brilho depressa: Leite se retirou de cena, voltando às articulações em seu Estado de origem. Vencer em Minas é o único troféu cuja disputa se coloca diante de Aécio, e abrir mão dessa batalha equivaleria à desistência da própria carreira política em si.

Com poderosos articuladores regionais, o PSDB mineiro tem potencial suficiente para ir ao segundo turno na disputa pelo Palácio da Liberdade. Quem tiver memória boa, poderá lembrar dos nomes das principais lideranças que contribuíam para a sustentação política dos governos do PSDB em cada região de Minas; pois a maioria desses continua ativa e forte, sem qualquer sinal de engajamento com Zema e seu clã.

Para que voltem a empregar seu poder e prestígio pessoal em favor de um candidato, entretanto, precisam de um líder que lhes inspire confiança – e não de compromissos partidários formais. O envolvimento pessoal de Aécio, portanto, é o catalisador de uma campanha tucana competitiva para o Palácio da Liberdade. Esse fator, ao que parece, agora não falta mais.

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