Professora da UEMG denuncia ameaça de morte feita por aluno da instituição


A Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) abriu inquérito disciplinar para apurar ameaças de morte feitas por um estudante da escola de música da instituição e dirigidas à professora dele, uma flautista, de 38 anos. Ela procurou o Juizado Especial Criminal para registrar boletim de ocorrência contra o aluno na última terça-feira (6).

Segundo a professora, o estudante começou a assediá-la com mensagens privadas enviadas via Facebook no dia 12 de julho. Primeiramente, ele mandava mensagens insistentes pedindo para conversar com ela a sós.

Depois que Raíssa disse que isso não aconteceria, ele foi mais agressivo e escreveu: “Professora, não se assuste, fique tranquila. Mas apesar de ser brincalhão, sou uma pessoa séria e sistemática, até mato por isso.”

Até então, ela afirma que não levava as mensagens tão a sério. Entretanto, na última segunda-feira (5), primeiro dia de aula após as férias, as ameaças tomaram uma proporção maior. Ao chegar na faculdade, o aluno a encontrou no corredor e falou que tinha sonhado com que ela o levava a uma casa mal assombrada. “Então, ele disse que se sonhasse novamente comigo, iria cortar a minha cabeça, enfiar algodão na minha boca e entregar pra minha mãe. Gente, e eu posso controlar o sonho dele?”, questiona.

Ela conta que, mesmo sem digerir muito bem a conversa, foi sala para lecionar para uma aluna. “Ele foi atrás de mim e continuou a fazer ameaças na frente da minha aluna, que é menor de idade”, disse. Por causa disso, a professora foi procurar por ajuda.  “Encontrei com o coordenador do curso e com um professor do audiovisual. Eles me orientaram a fazer um boletim de ocorrência para relatar a ameaça. Então, voltei para a sala de aula, fechei a porta e fiquei tranquila. Mas aí, ele abriu a porta da sala de novo e voltou a me ameaçar”, relata.

Nesse momento, ela e a aluna começaram a gritar por socorro a plenos pulmões. “Outras pessoas vieram e tiraram ele da sala. Eu e minha aula ficamos em choque”, aponta. 

Desde o ocorrido, a professora não voltou a dar mais aulas. Ela está de atestado médico e tem medo que possa ocorrer algo de grave com ela. “A universidade me informou que vai colocar um funcionário para me acompanhar. Mas que preparo ele pode ter caso ocorra alguma coisa? Eu espero que a universidade acompanhe esse aluno e o encaminhe para a saúde mental”, informa.

Raíssa deu aula para o aluno no último semestre e, apesar de achar o comportamento dele por vezes estranho, nunca desconfiou de nada. “Eu o achava meio alheio, sempre ficava no fundo da sala”, relembra.

Mãe de quatro filhos

O medo da professora aumenta ainda mais quando pensa nos seus quatro filhos. Raíssa é mãe de uma adolescente de 13 anos que, inclusive, frequenta a universidade para participar de cursos livres. Ela, que é divorciada, ainda tem um filho de 9, outra de 8 e um menino de 4 anos. 

“Não quero nem imaginar em algo que pode ocorrer ao pensar nos meus filhos. Estou muito preocupada, na noite de segunda-feira nem dormi pensando no que ocorreu, estou deprimida. Por isso, resolvi colocar a boca no trombone. Quando uma mulher se cala, outras tantas podem sofrer com isso”, comenta.

A professora disse ainda que o atestado tem duração de uma semana e não sabe se vai voltar para a faculdade ao término dele.

O que diz a universidade

Por meio de nota, a UEMG informou que a reitoria recebeu com  “preocupação a denúncia de ameaças contra a professora” e que “estão sendo tomadas todas as providências no âmbito da universidade no sentido de garantir o exercício das atividades da professora dentro de sala de aula.”

Disse ainda que “é inadmissível tal comportamento, que ameaça não só a atividade da profissional, mas também a integridade da professora”.

 

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