Presos da Nelson Hungria coordenaram 2 sequestros em Minas em três meses


Em menos de três meses, dois sequestros foram coordenados de dentro da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Ambos os casos foram desarticulados. No mais recente, policiais do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) em conjunto com a equipe de Bom Despacho identificaram sete suspeitos de participar do crime contra um jovem de 21 anos, que, na quinta-feira, foi sequestrado em casa, em Bom Despacho, na região Centro-Oeste, e libertado na sexta-feira em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Três pessoas foram presas pelo crime, mas a polícia aponta a participação de outras cinco. Segundo a Polícia Civil, “os líderes da organização criminosa e mandantes do crime encontram-se atualmente na Penitenciária Nelson Hungria”.

Antes do sequestro, criminosos teriam pedido à família da vítima R$ 30 mil para que o crime não fosse cometido. Dias depois, a casa foi invadida e o jovem levado. Durante o período do sequestro, o resgate imposto foi de R$ 1 milhão, mas os criminosos aceitaram reduzir a cifra para R$ 50 mil. Nesse período, os investigadores identificaram o cativeiro e libertaram a vítima, sem a necessidade de pagamento de resgate.

Em junho, dois homens foram presos e dois menores foram apreendidos suspeitos de sequestrarem uma criança de apenas 7 anos na própria casa, em Florestal, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo as investigações da Polícia Civil, foi arquitetado por outros dois detentos do Pavilhão 2 da Penitenciária Nelson Hungria.

De acordo com o relato das vítimas, um dos suspeitos, de 33 anos, e um dos menores abordaram a empregada doméstica da casa enquanto ela deixava o lixo do lado de fora, por volta das 8h. Após rendê-la, os dois entraram na casa. A criança de 7 anos e a mãe dela chegaram ao local por volta de 10h e foram rendidos, assim como o pai, que chegou por volta de 11h. 

Perto do meio dia, os dois homens saíram da casa em um veículo do tipo Renault Logan, levando a criança. O destino era a cidade de Pequi, a 40 km de Florestal, onde estava localizado o cativeiro. Eles eram aguardados por outros dois comparsas, um de 19 anos e outro menor de idade. 

“Lá, os sequestradores exigiram, mediante grave ameaça da família, a quantia de R$ 300 mil. A criança foi mantida em cativeiro por aproximadamente 20 horas”, disse na semana passada o delegado do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), Marcus Vinícius Vieira. 

Vídeos da criança chegaram a ser enviados para a família para atestar que ela estava bem. O sequestro durou até as 5h do dia seguinte.

Em julho, a polícia conseguiu prender os dois suspeitos. Eles vão responder por extorsão mediante sequestro, roubo e organização criminosa. Os menores foram detidos e posteriormente liberados. Dois detentos, de 32  e 35 anos, são os suspeitos de arquitetar o sequestro de dentro da Penitenciária Nelson Hungria. Na cela deles, foram encontrados celulares, supostamente utilizados para comandar a ação.

Interdição

O sequestro de Florestal foi “a gota d’água” para que o juiz Titular da Vara de Execuções Criminais de Contagem, Wagner de Oliveira Cavalieri, determinasse a interdição da penitenciária Nelson Hungria. Em decisão publicada nessa quinta-feira, ficou estabelecido que a unidade não pode receber mais presos.   

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