Preso empresário investigado por importunação sexual contra funcionárias em BH


A Polícia Civil prendeu um homem de 44 anos investigado por importunação sexual contra funcionárias dele em uma loja de bijuterias no centro de Belo Horizonte. Em coletiva nesta sexta-feira (11), a delegada Cristiana Angelini informou que o pai do homem, de 68, também é investigado, além do crime de importunação, por um estupro. Ele está foragido, e o número de vítimas já chega a dez.

As investigações começaram em abril deste ano, quando uma das mulheres procurou a delegacia para fazer a denúncia. A partir de então, outras vítimas apareceram.

“Essa primeira vítima informou que estava sendo abusada pelo proprietário mais velho. Em um dos momentos, o suspeito atraiu a vítima até o depósito, que não tinha câmeras de segurança, e, mediante grave ameaça e utilizando da força, segurou os braços dela e começou a beijar os seios dela. Ela ficou muito traumatizada e, após conversa com familiares que moram em outra cidade, resolveu denunciar”, detalhou a delegada, da  Delegacia Especializada de Investigação à Violência Sexual, pertencente à Delegacia de Mulheres.

Ainda conforme a policial, seis vítimas denunciaram o pai e quatro denunciaram o filho, sendo que, das dez ao total, quatro são vítimas anônimas. Ou seja, denunciaram, mas não formalizaram a ação. O empresário mais novo foi preso dentro da loja, nessa quinta-feira (10). As importunações por parte dele também aconteciam no depósito.

“Os suspeitos são empresários conceituados no ramo, as vítimas temiam que acontecesse algum tipo de violência ou que não conseguissem empregos em outros lugares. Na data de ontem foi cumprido mandados de busca na loja, onde foram arrecadados câmeras de segurança, telefones e outros aparelhos telefônicos. O filho foi preso preventivamente e negou as acusações. O pai encontra-se foragido e há um mandado de prisão preventiva contra ele também”, explicou Cristiana.

“Eu espero que ele continue preso”, diz uma das vítimas

Uma das vítimas do homem mais novo recebeu com alívio a informação da prisão dele. A jovem, de 26 anos, trabalhou no local por seis anos e saiu da loja há três. “A sensação é de alívio, graças a Deus não vai acontecer com mais ninguém. Eu espero que ele continue preso e, agora, todo mundo que souber e puder denunciar vai ajudar mais ainda”, afirmou.

Segundo a vítima, o empresário a levava ao depósito e começava com a importunação. “Lá ,ele gostava de fazer as gracinhas dele, ficava mostrando motel e perguntando em qual a gente queria ir com ele, ficava apertando e dizia que, enquanto não o beijasse, não soltaria Aí quando chegavam novas funcionárias, ele parava de mexer com a gente e já ia nas meninas”, contou.

“Importunação sexual é diferente de cantada”, alerta delegada

Também durante a coletiva, a delegada alertou que a importunação sexual é diferente de uma “cantada”. “Existe uma diferença bem grande entre cantada e uma importunação sexual. Não quer dizer que uma paquera, uma cantada vai ser punida. A cantada é uma coisa recíproca, um elogio que a mulher recebe às vezes com um sorriso, um olhar, tem toda uma postura corporal. A importunação é de cunho agressivo, comentário chulo em que a mulher fica ali constrangida. Nesse caso é crime sim e há punição”, afirmou.

Sem posicionamento

A reportagem de O TEMPO esteve na loja, mas ninguém quis comentar o caso. Por telefone, a atendente também se recusou a falar das denúncias e não passou nenhum número de advogado de defesa dos investigados. O espaço segue aberto, caso queiram manifestar.
 

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