Preço tira peru da ceia de Natal

A menos de dois meses para o Natal, os mineiros ainda não sabem se terão condições de ter uma ceia farta, mesmo que apenas com os familiares que moram na mesma casa. O problema, no entanto, não é só a necessidade de isolamento causada pela pandemia, mas o encarecimento geral dos alimentos. E, quando o assunto é carne, um dos protagonistas dos encontros natalinos, o cenário é desanimador: alguns tipos estão saindo do produtor, antes mesmo de ser somado o preço logístico e das margens de lucro dos revendedores, com altas superiores a 50%. Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), a arroba da carne bovina encareceu 39,22% nos últimos 12 meses em Minas Gerais, passando de R$ 186,75 para R$ 260. O quilo suíno, com o animal vivo, subiu de R$ 6,20 para R$ 9,50, uma “facada” de 53,22% no bolso do consumidor. O preço do frango subiu 11,8%.
Com tanta carestia, sobrou até para as aves natalinas, como chester e peru. “Tudo vai a reboque. Se temos todas as carnes caras, as pessoas começam a substituir pelas outras, e o preço sobe também”, explica o analista de agronegócios da Faemg, o zootecnista Wallisson Lara.
Resultado: o Natal será diferente em muitas casas. Moradora do Morro do Papagaio, em BH, Daisy da Paixão, de 29 anos, já sabe que não vai cear. “Está tudo caro. Mesmo recebendo o auxílio, falta dinheiro. No Natal deste ano, nós vamos é dormir cedo pela primeira vez na minha vida”, diz.

Explicações

Segundo o analista de agronegócios da Faemg, Wallisson Lara, o encarecimento das carnes tem explicações. A primeira é o aumento do custo dos insumos que compõem a dieta dos animais. A soja, por exemplo, tem tido forte demanda internacional, o que tem pressionado os preços. Cerca de 40% da soja que ainda será colhida já está comprada por outros países. O resultado é uma dieta mais cara para os animais, com impacto no preço de venda deles.

O aumento das exportações, principalmente para a China, também pesou sobre o preço da carne. De janeiro a setembro deste ano, o volume vendido para o exterior subiu 15,7% no Estado, frente a 2019, saindo de 207 mil toneladas para 240 mil. “A desvalorização do real fez com que nossos produtos ficassem mais atrativos para estrangeiros”, disse o superintendente da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Ricardo Albanez.

Segundo o analista da Faemg, Wallisson Lara, a tendência é que a carne fique cara até o próximo ano. “As pessoas vão receber o 13° salário, e a demanda ficar ainda maior”, diz.

Sobrou até para legumes

O clima muito quente e seco, que foi uma constante nos últimos tempos no Estado, afetou a produção de frutas, verduras e legumes e forçou o preço. “Alguns produtos tiveram altas expressivas, como o tomate”, disse o coordenador de informações de mercado da Central de Abastecimento (Ceasa), Ricardo Fernandes Martins.
Para ele, a tendência é a produção se normalizar agora no período chuvoso, a não ser que ocorram temporais, que acabam destruindo as lavouras.

 

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