'Precisamos de ver o Wagner bem', pede mãe de cantor em situação de rua


Filho amoroso, compositor de várias músicas, ex-modelo e cantor gospel. Wagner Fernandes, de 32 anos – o rapaz que emocionou milhares de pessoas após ter tido o violão roubado – é muito mais do que uma bela voz perdida no meio da multidão. Ele carrega uma história de luta e, por trás, tem uma família que torce por ele. Não para que ele fique famoso, mas que reconquiste a felicidade perdida nas esquinas, que agora são o que ele chama de lar.

 “O Wagner tem medo que nós viemos a criar expectativas em cima dele, mas nós não criamos expectativa em cima do Wagner. Nós não precisamos de dinheiro, nem de fama. Precisamos de ver o Wagner totalmente bem, totalmente feliz e cumprindo tudo aquilo que Deus sonhou para ele. Eu não crio expectativa em cima do Wagner, mas em cima de Deus que cuida do Wagner”, disse a mãe dele, Dalva Helena Teixeira, de 58 anos, em um desabafo emocionante à reportagem. 

A esse mesmo Deus a quem ela entrega a vida do filho, Dalva atribui a entrada de Wagner na vida dela. “Ele tinha que ser meu. Nasceu para ser meu. É coisa de Deus mesmo”, afirma, se referindo a forma como conheceu o filho, que foi adotado por ela quando tinha apenas 3 dias. Um dia, quando ela foi em um hospital para visitar uma prima do marido, que estava internada por complicações na gravidez, ela viu o filho pela primeira vez. “A prima do meu marido estava amamentando o Wagner porque a mãe dele não quis ficar com ele”, lembra. 

Dalva quis levar a criança para casa imediatamente, mas, como já tinha dois filhos, de 4 e 6 anos, teve receio de não dar conta de sustentar todos eles com o salário do marido, Adelmo Lepre Teixeira, hoje com 61 anos. Adelmo sempre se dedicou a consertar aparelhos eletrônicos. Até hoje, inclusive, eles vivem com o dinheiro conquistado com esse mesmo trabalho. 

“Fui para a casa de coração partido, porque sempre quis adotar uma criança negra. Às 10 horas da noite do mesmo dia, uma vizinha minha apareceu com ele no colo dizendo que a mãe não ficaria com ele. Como essa minha vizinha tinha 68 anos, achava que não daria conta de cuidar dele e que eu seria a pessoa certa”, lembra. Foi aí que Wagner passou a fazer parte da família.

Ele estudou em escolas particulares, formou o Ensino Médio, se dedicou boa parte da vida aos estudos bíblicos na igreja onde a família frequenta. Foi nos cultos onde ele começou a desenvolver o dom da música, cantando desde os 3 anos músicas de louvor. Na adolescência, chegou a trabalhar como modelo. “Ele sempre foi bonito e conseguiu alguns trabalhos por meio de uma agência”, lembra a mãe. Ela é só elogios ao filho: “Ele é uma pessoa extremamente maravilhosa. Era a alegria da nossa casa, muito carinhoso. Vivia dizendo que nos amava, que o sonho dele é poder aposentar o pai dele, poder nos sustentar”, conta Dalva. 

Wagner chegou a trabalhar com o pai, depois teve carteira assinada em um centro de recuperação de menores e gravou um CD gospel com composições dele, que não chegou a ser lançado. Mas, em paralelo a tudo isso, ele travava uma batalha contra as drogas, que ele conheceu aos 16 anos. Quando saiu da casa dos pais, em 2012, ele foi em busca de liberdade e de viver o sonho da música. Mas, oito meses depois, chegou em casa sujo e exausto de perambular pelas ruas. “Eu tenho uma ligação muito grande com o Wagner. Eu sonhei que ele estava descalço e muito sujo, cheguei a avisar para ele sobre o pressentimento. Meses depois, ele bateu na minha porta daquele jeito mesmo”, conta Dalva. Depois, ele se reergueu e há dois anos mora em Belo Horizonte. 

Na capital mineira, ele teve altos e baixos. Chegou a morar em quartos de hotéis, a dividir apartamentos com conhecidos e a se sustentar tocando em bares. “Ele está disposto a se reerguer. As coisas vinham caminhando bem para ele”, conta a mãe, que tem contato com ele por telefone. 

Como mostrado pela reportagem de O Tempo, Wagner teve o violão roubado, o que atrapalhou bastante os planos dele. Além disso, o coronavírus também fez com que os bares fechassem e o movimento das ruas diminuísse. Outro baque para quem vive de se apresentar para o público. Na última sexta-feira (15), depois da divulgação da história dele pelo O Tempo, Wagner ganhou um violão. “Acredito que agora novas oportunidades vão surgir para ele”, comemora a mãe. 

 

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