Perdido – Por Leonardo de Magalhaens – #temporadadetextos

Não sei se sonhei antes, mas lembro do sonho imediatamente antes de acordar. Eu estava em viagem, não sei que cidade. Tinha um mapa aberto – com as estações do metrô. Para mim era São Paulo ou London ou Berlin. Muitas estações de metrô.

         Eu estava sozinho, naquele metrô, e parece que descia numa estação antes ou depois daquela onde precisaria desembarcar. Uma sensação de estar perdido.

         Depois estou num quarto de hotel, e olho o mesmíssimo mapa de estações de metrô, e com dezenas de estações, e não sei qual preciso, e estou ansioso.

         Num outro momento eu percebo a presença de A. ali no quarto do hotel. Ela está com um notebook aberto e quer saber a senha do WiFi. Eu sei a senha e ligo meu PC também. Ela curiosa quer saber que mensagens recebi, se tenho uma namorada online e tal. Ciúmes infundados. Digo a ela que mulher é muito bom, mas dá muito trabalho, e acabo por mostrar as mensagens de amigos, amigas e poetas. E fotos da viagem. Nada de intimidades.

         Só então percebo as duas crianças. Se mexeram na cama. Parecem dormir. E então entendi que a família viajou toda junta! Mas onde estamos? Para onde vamos? Esta angústia.

         De súbito ouço barulho na porta do apartamento. E um homem alto, moreno, meio gago, entra usando a chave do hotel ! Parece ser um empregado e parece ter se confundido e aberto a porta errada!

         O homem pede mil desculpas, gaguejando ainda mais, não sei que idioma, e se afasta da porta, que eu corro para fechar. E percebo mais dois homens no corredor, próximos a ele. Parecem todos empregados do hotel. Eles fazem mesuras, como se fossem sentidas desculpas.

         Com esforço eu fecho a porta, e tranco bem, duas vezes, com dificuldade, pois bem que desconfio destes ‘empregados’ de hotel. Acho que eles pegam as cópias de chaves para invadirem e roubarem os pertences dos hóspedes…

         Esqueço a viagem, e o PC, e ando pelo apartamento. Estou a procura de algo para me defender. Percebo que ainda há movimento e ouço vozes masculinas no corredor. Outra porta, ali perto, é aberta. O que esperam os homens? Que o hóspede dê uma saída? E vou deixar a A. e as crianças ali sozinhas?

         Encima de um guarda-roupa de duas portas eu encontro uma machadinha – o cabo quase soltando – e duas facas, uma grande e uma pequena, tipo punhal. Eu coloco as facas nos bolsos de trás da calça jeans e empunho o machado. Bem na hora em que a porta era forçada – e o homem de antes, vestido de garçom, entra com uma bandeja, como se fosse servir uma pizza! Será? Está envenenada?

         Mas não dou tempo de ele fazer algo – dou uma machadada na bandeja e no homem – que cai contra a parede do outro lado do corredor, junto ao extintor de incêndio. Ele faz um gesto – uma arma? Uma faca?

         Aí eu puxo a faca grande com a mão direita de trás da calça e avanço contra ele, tento esfaquear a barriga – ele se defende e me ataca. Não sei se foi ele que me atingiu – ou um comparsa escondido no corredor. Mas eu senti o golpe na barriga. E acordei.


#LeonardodeMagalhaens      

Poeta, escritor, crítico literário, revisor , tradutor, Bacharel em Letras pela Fale/UFMG

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leomagalhaens3@gmail.com

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