Para participantes do 'Diálogos', Brasil precisa alavancar cultura de doação


Para os especialistas, empreendedores sociais e filantropos que participaram da primeira edição da série “Diálogos Transformadores – Como Estimular a Cultura de Doação no Brasil” nesta terça-feira (27), essa cultura existe no país, mas é incipiente e precisa ser divulgada e alavancada.

O debatedor, José Luiz Setúbal, ex-provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e presidente da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, saiu do evento realizado pela Folha e pela Ashoka, otimista quanto às discussões feitas. “É importante ter um fórum sobre doações, é necessário, principalmente para a exposição de projetos que muitas vezes não temos conhecimento”, diz.

Para Sergio Petrilli, do Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), o debate foi uma “troca de conhecimento”. “Concluímos de forma geral que temos muito que melhorar, mas o clima ainda assim é de otimismo. São experiências inspiradoras, e descobertas de novos caminhos. Como multiplicar mesmo numa época de crise, além da importância da transparência na utilização clara de dinheiro público”.

O superintendente do Instituto Ronald McDonald, Francisco Neves, afirma ter “saído renovado e encorajado”. “Este evento nos fez entender com exemplos práticos os resultados que se refletem. É importante trabalhar em conjunto.”

Já para Nina Valentini, cofundadora do Arredondar, que viabiliza microdoações no varejo, é importante ter esse espaço para dialogar entre diferentes iniciativas e pessoas para pensar no campo de cultura de doação de uma forma sensata para o grande público com exemplos reais que fazem parte do dia a dia delas. “Doação pode virar um hábito e transformar a cultura de um país, gerando mais desenvolvimento” afirma.

Segundo Mirela Domenich, diretora da Ashoka Brasil o debate mostrou a importância do estímulo no Brasil e refletir não só como doar em dinheiro, mas a participação ativa nas causas. “Uma sensibilização e atuação de outras maneiras, não só financeiramente, mas com tempo.”

Roberta Faria, diretora-executiva da Editora Mol, afirma que a principal lição é encontrar maneiras mais simples e gratificantes de fazer doação, que deve ser inserida na rotina sem mudar drasticamente os hábitos e orçamento, feito com mais empatia e engajamento nas causas.

“Quando nas pessoas se sentirem mais agradecidas e envolvidas e entenderem a causa e consequência das doações, as chances aumentam significativamente.”

O evento, que tem apoio do Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), do Instituto Cyrela e da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, poderá ser acompanhado pela TV Folha, que exibirá a íntegra nesta quarta (28).

O conteúdo da discussão, que se propõe a apontar caminhos, será ainda transformado em um minidocumentário para websérie no canal “Diálogos Transformadores”.

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