Pandemia de Covid-19 provoca queda na procura por vacinas


A cobertura vacinal está abaixo da meta em Belo Horizonte para todas as vacinas disponíveis. Com a pandemia do novo coronavírus, a procura pelos centros de saúde caiu, e os números, que já estavam aquém do esperado, ficaram ainda menores. Especialistas firam que a situação, que se repete em todo o país, pode provocar novos surtos e alertam: a necessidade de distanciamento social não é motivo para deixar de se vacinar ou de imunizar crianças e adolescentes.

Entre crianças menores de 1 ano, que, de forma geral, são o público com os melhores números, a cobertura da vacina meningogócica C está em 72% na capital. A vacina ACWY, que protege contra quatro tipos de meningite e passou a ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) neste ano, está com cobertura de 54,7% para crianças de 11 anos e de 43% para as de 12. 

“Estamos um tanto quanto abaixo da meta. Em tempos de pandemia, as pessoas passaram a ficar mais recolhidas em casa, e o movimento nas unidades diminuiu. Quando alguém deixa de procurar o centro de saúde para atualizar o cartão de vacina, coloca todos a sua volta em risco”, afirma Jandira Lemos, referência técnica de imunização da Secretaria Municipal de Saúde.

De acordo com a coordenadora estadual do Programa de Imunizações, Josianne Gusmão, a cobertura vacinal das crianças menores de 1 ano é positiva, mas os números caem à medida que a faixa etária sobe. “Nas crianças com mais de 1 ano, a gente começa a observar a redução da cobertura vacinal. Em adolescentes, e diminuição é mais considerável e, em adultos, mais ainda”, afirma Josianne. Ela destacou que há vacinas indicadas para todas as fases da vida e que as epidemias que Minas vivenciou nos últimos anos, de febre amarela e sarampo, poderiam ter sido evitadas com vacinação.

País

No Brasil, o cenário é semelhante. Segundo o Ministério da Saúde informou em nota, “de maneira geral”, houve “baixas coberturas no ano de 2019”. O país não alcançou a meta para nenhuma das dez vacinas recomendadas pelo Programa Nacional de Imunizações para crianças de até 1 ano.

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, diz que a pandemia de Covid-19 reduziu as coberturas vacinais, que já estavam baixas, em todo o país. “Enquanto a Covid-19 avança ou não, as outras doenças continuam”, afirma.

Segundo Isabella, não existe nenhuma vacina contraindicada durante a pandemia, que possa aumentar o risco ou a gravidade da infecção pelo coronavírus. “A gente recomenda manter a vacinação em dia e intensificar a imunização contra sarampo, que tem alto risco hoje em 19 Estados, e da febre amarela, que está no Sul do país. Uma ida ao posto resolve tudo”, pontua.

É assim que pensa a aposentada Nádia Figueiredo, 41, que mora no bairro Pompeia, na região Leste de BH. Ela sempre fez questão de manter em dia o cartão de vacinação da filha Izadora, 12. “Eu me preocupo, primeiro, por causa da saúde dela. Como mãe, acho uma grande responsabilidade, quem ama o filho tem que se preocupar com a saúde. A vacina é uma imensa prova de amor que a gente pode dar”, disse. 

GRIPE

Campanha ainda não alcançou o esperado 

Enquanto as duas primeiras fases da campanha de vacinação contra a gripe atingiram, em BH, público maior do que a meta, a terceira etapa está com cobertura média de 25,7%, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA). 

Essa última fase é destinada a crianças de 6 meses a menores de 6 anos, pessoas com deficiência, gestantes, puérperas (mulheres que tiveram filhos há até 45 dias), adultos com idade entre 55 e 59 anos e professores. A campanha, que seria encerrada na última sexta-feira, foi prorrogada até o próximo dia 30.

“Estamos entrando no inverno, já está esfriando muito, o vírus influenza está circulando entre nós. Quando a pessoa toma a vacina, leva em torno de 15 dias para ficar protegida”, afirma a referência técnica de imunização da SMSA, Jandira Lemos. Segundo ela, as salas de vacinação das unidades de saúde são separadas das outras áreas de atendimento, o que contribui para a prevenção da Covid-19.

A vacinação é realizada nos centros de saúde da capital, de segunda a sexta-feira, e em postos abertos pela prefeitura. 

PROFISSIONAIS

O Unicef e outras entidades vão lançar, neste dia 13, cartilha digital para profissionais com diretrizes sobre prevenção da Covid-19 em salas de vacinação.

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