Pacto com o futuro

Neste Dia da Terra, líderes de 40 países começam a debater um compromisso para assegurar um futuro ao menos habitável para o planeta. A meta, que não é nova, é tentar segurar o aquecimento global a 1,5°C até 2030 e, assim, impedir que regiões onde vivem 200 milhões de pessoas fiquem submersas antes do fim do século.

Os prognósticos não são animadores. A Agência Internacional de Energia calcula que, somente neste ano, as emissões de dióxido de carbono – um dos principais responsáveis pelo efeito estufa – terão o segundo maior aumento da história. O 1,5 bilhão de toneladas adicional do gás liberado na atmosfera equivale a tudo o que um país como o Japão (o quinto maior emissor de dióxido de carbono do planeta) produz em um ano. Para compensar o efeito dessa poluição extra, seria necessário plantar 10,5 bilhões de árvores.

Apesar dessa necessidade, o movimento tem sido contrário ao da preservação. No Brasil, por exemplo, a perda florestal passou de 7.500 km² em 2018 para 11,1 mil km² no ano passado – como se quase toda a região metropolitana de Belo Horizonte não tivesse árvores. E, no último mês de março, o desmatamento foi 12% maior do que no mesmo mês de 2020, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Há uma expectativa de que o governo brasileiro se comprometa na cúpula do clima com a meta de zerar o desmatamento ilegal em menos de dez anos, uma tarefa hercúlea, dadas as dimensões das florestas e da indústria da devastação na Amazônia e nos diversos biomas nacionais.

É verdade que outros países produzem mais dióxido de carbono que o Brasil, mas, se quisermos um futuro comum, todos teremos que assumir responsabilidade na solução, sob pena de todos sofrermos os prejuízos da inação.

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