OS DADOS ESTÃO LANÇADOS – Por Rodrigo Starling – #Temporadadetextos

Rodrigo Starling

A sociedade evolui em saltos, a Revolução Digital, é um salto por excelência.

Se concordamos com a divisão proposta pelo historiador Yuval Noah Harari (1976- ), autor do aclamado “Sapiens: uma breve história da humanidade” o mundo passou, até aqui, por três grandes revoluções, a saber: a revolução cognitiva, há cerca de setenta mil anos; a revolução agrícola, há cerca de dez mil anos; e a revolução científica, há cerca de quinhentos anos. Acredito estarmos em pleno curso de uma quarta revolução, que se descola sobremaneira da antecessora. Trata-se da Revolução Digital, iniciada na década de 70, que marcou o início da Era da Informação.

A internet, como hoje a conhecemos, só teve início em 1990, através da Rede de Alcance Mundial – World Wide Web e sua iniciais WWW , digitadas para acessar os sites. Foi a democratização plena e ampliada de uma tecnologia, antes restrita a uso governamental e militar.

Emergem dois importantes conceitos, para subsidiar nossa reflexão: Ciberespaço e Cibercultura.

Desenvolvido por William Gibson (1948 – ), escritor canadense de ficção especulativa, Ciberespaço é ” (…) um espaço existente no mundo de comunicação em que não é necessária a presença física do homem para constituir a comunicação como fonte de relacionamento (…) É o espaço virtual para a comunicação que surge da interconexão das redes de dispositivos digitais interligados no planeta (…) Não se refere apenas à infraestrutura material da comunicação digital, mas também ao universo de informações que ela abriga. ”.

Já o conceito de Cibercultura, proposto pelo filósofo e sociólogo francês Pierre Lévy (1956 – ), trata da “(…) transposição das culturas humanas para um espaço conectado. Por se tratar de um espaço em expansão, mais pessoas e grupos conectados podem trocar informações, saberes e conhecimentos. Ademais, a cibercultura cria condições para que novos saberes possam ser desenvolvidos como: aplicativos, sites, programas, dentre outros.”

O que significa estar conectado a esta Era da Informação? Respondo: navegar por sites, utilizar mecanismos de busca/serviços (Google, líder mundial), utilizar aplicativos de trânsito, transporte, compras, relacionamentos, dentre outros. E, claro, as Redes Sociais, onde se pode postar fotos e documentos, trabalhar ou se entreter, fazer ligações, video chamadas e uma infinidade de funcionalidades “gratuitas” sendo, as líderes mundiais /número de usuários (ano base 2020): Facebook – 2,27 bilhões; YouTube – 1,9 bilhões; WhatsApp – 1,5 bilhões; Facebook Messenger – 1,3 bilhões; WeChat – 1,08 bilhões; Instagram – 1 bilhão; Twitter – 326 milhões; LinkedIn – 303 milhões, e a lista se perde.

Para se compreender um pouco mais sobre essa Cibercultura, imersa no Ciberespaço, três habilidades serão cada vez mais necessárias e requeridas: velocidade, aceleração e poder de síntese. Ser capaz de comunicar e ser compreendido, na velocidade catódica da luz.

Neste cenário, algoritmos, frequentemente são criados e programados, para capturar os mais diversos dados, dos mais simples aos mais complexos, alimentando, em moto perpétuo, o Big Data. Dados que valem ouro e são comercializados, por nichos e interesse, cada vez mais refinados. Grandes empresas e corporações nos devolvendo em forma de produtos e serviços, cada vez mais personalizados, conforme “A Cauda Longa” de Chris Anderson (1961- ).

Banco de dados universal, alimentado por milhões de “comportamentos padrão”, seus cruzamentos e possibilidades infinitas, uma espécie de inconsciente coletivo digital, a relação espaçotemporal de Einstein, transportada para nossa condição VirtuReal. Quanta elementar de cada individualidade… Átomos e seus análogos Bites, agora em Multiversos Nano, “ampliação” do número de “reduções”, físicas e metafísicas.

O mesmo Yuval, em seu “Homo Deus: uma breve história do amanhã” alerta sobre a religião do futuro, o Dataísmo (os Dados com o poder e a centralidade do universo). Para nós, já estamos em um novo “estado” das coisas – Hora de uma postura “fora dos padrões”.

E você, caro leitor do Portal Nova Contagem, que padrão mental anda utilizando?


*Rodrigo Starling é Filósofo, Escritor e Poeta, natural de Belo Horizonte/MG. Pós em Gestão de Políticas Sociais (PUC Minas) e Mestre em Ciências Políticas (ULHT Lisboa). Autor de 12 livros, figura em coletâneas do Brasil e exterior (EUA, Equador, Itália, Japão e Uruguai). Em 2004, fundou a Oficina de Produção Artística — OPA, hoje, MINAS VOLUNTÁRIOS, ao qual preside. Em 2011, criou o Selo Editorial Starling, responsável pelas antologias Cem Poemas, Cem Mil Sonhos e Provérbios da Lama. Laureado: Menção Nosside XXIV — UNESCO World Poetry Directory; Medalha Resgate da Cidadania (2008) e Medalha Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais — INBRASCI (2012). Em 2013, nomeado Embaixador pelo Cercle Universel des Ambassadeurs de La Paix — CUAP, de Genebra/Suíça e Orange/França. Em 2015/16, atuou como moderador (Rio Dialogues) e consultor (UNV), ambos junto à Organização das Nações Unidas — ONU. Cofundador do Instituto Ekopolis, sediado em Contagem/MG.


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