Os crimes comprovados de Lula que só o eleitor tem condições de julgar


Às vésperas da decisão do TRF4 sobre o caso Lula, é obrigatório repetir o que escrevi no dia 13 de julho do ano passado: “Prefiro que Luiz Inácio Lula da Silva seja julgado pelos eleitores, no pleito presidencial de 2018, do que impedido de concorrer por uma decisão judicial.

A menos, óbvio, que as investigações sobre o ex-presidente cheguem a um ‘batom na cueca’, caso em que merece ser condenado e preso”.

Acrescento o que faltou dizer em 2017: as únicas pessoas autorizadas a decidir se há ou não um “batom na cueca”, do ponto de vista jurídico, são os integrantes do TRF4. Não são os amigos e/ou correligionários de Lula nem seus inimigos e/ou adversários.

Marlene Bergamo/Folhapress
Marcha do MST em Porto Alegre; grupo vai acompanhar o julgamento do ex-presidente Lula
Marcha do MST em Porto Alegre; grupo vai acompanhar o julgamento do ex-presidente Lula

Ou o Brasil aceita de uma vez por todas a prevalência das instituições —no caso, o sistema judicial— sobre interesses pessoais e eleitorais ou jamais chegaremos a ser um país civilizado.

Explico agora porque prefiro o julgamento das urnas: está perfeitamente comprovado que Lula cometeu um crime do ponto de vista do comportamento político, ético e administrativo, seja ou não dono do tal triplex. Não é apenas a minha opinião: foi o que disse à Folha, no domingo, 21, Cesar Benjamin, que conhece o PT e seu líder por dentro, por ter coordenado a campanha de Lula à Presidência em 1989 e por ter sido um dos fundadores do PT (saiu, desiludido, em 1995): “Como cidadão, sei que ele [Lula] deve ser condenado politicamente, pois, ao escancarar as portas do Estado para a corrupção e aceitar a função de lobista de grandes empresas, não manteve a dignidade que se espera de um presidente da República e um líder popular”.

É isso, simples assim.

Há mais, usando de novo o texto publicado em julho passado:

1 – Está comprovado que a Petrobras foi o epicentro de um gigantesco esquema de corrupção, durante o governo Lula (e também com Dilma Rousseff).

As provas, nesse capítulo, são caudalosas, inclusive e principalmente a confissão de ex-diretores e devolução de dinheiro. Ninguém devolve dinheiro auferido legalmente.

Se Lula participou do esquema de corrupção, não sei. Mas chefe que deixa roubar é sempre politicamente culpado.

Que Lula sabia da corrupção, prova o fato, confessado por ele próprio, de que cobrou Renato Duque, um dos diretores envolvidos, sobre o esquema montado na empresa estatal.

2 – Que o PT “se lambuzou” com a corrupção é também fora de dúvida. A expressão “lambuzou-se” não é do juiz Sergio Moro, mas de Jaques Wagner, um dos principais cardeais petistas.

Lula, como principal liderança do partido, pode até ser inocente de tudo, mas, mesmo que o seja, demonstrou não controlar o apetite voraz de seus companheiros.

Ou é conivente ou omisso, crimes políticos imperdoáveis.

3 – Que há uma escandalosa promiscuidade entre Lula, a Odebrecht e a OAS, entre outras construtoras, também ninguém discute.

Lula se transformou em caixeiro viajante a serviço da Odebrecht, uma empresa que confessa ter adotado “práticas impróprias”.

Só Lula não sabia dessas práticas? O ex-presidente, no cargo ou depois de deixá-lo, nunca escondeu que “vendia” empresas, produtos e serviços brasileiros em outros países, entre eles principalmente a Odebrecht.

Ou, posto de outro modo, a corrupção transformou-se, com Lula, em produto de exportação, de que dá prova, por exemplo, o fato de que todos os presidentes peruanos deste século receberam propinas da Odebrecht. Um deles está até na cadeia.

Não é só a Odebrecht: é escandalosa a familiaridade com que Lula se referia, no depoimento a Moro, ao “Leo”, que vem a ser Leo Pinheiro, presidente da OAS, que se deu ao trabalho de sair do seu escritório para servir como corretor para vender (ou doar) um apartamento a Lula.

Essa gestão também está comprovada e, mesmo que não haja ilegalidade, é moralmente inaceitável quando todo o mundo sabe que empresas como a OAS (e a Odebrecht) dependem de negócios com o poder público.

O elenco de detalhes desabonadores para o ex-presidente poderia estender-se, mas já basta para voltar ao início deste texto: o ideal seria que o eleitorado decidisse se são suficientes para não votar em Lula ou se a maioria não se incomoda com eles. Demonstraria se o caso Lava Jato foi suficientemente pedagógico para o eleitorado brasileiro ou se ele prefere continuar sendo “mal educado” para usar o rótulo (correto) que Washington Olivetto pespegou no Brasil, na sua entrevista deste domingo (21) à Folha.

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