Orquestra Sesiminas abre projeto 'Sempre às Quartas Virtual' com Juarez Moreira


Embora a quarta-feira já fosse desde o início o dia da semana escolhido pela Orquestra Sesiminas para o lançamento de seu novo projeto online, este 5 de agosto confere todo um toque especial à estreia: é que trata-se da data que o Brasil comemora o Dia Nacional da Saúde, em função de balizar o nascimento do sanitarista Oswaldo da Cruz.
 
Não por outro motivo, o primeiro vídeo do projeto “Sempre às Quartas Virtual”, que vai ao ar às 21h30, nos canais da Orquestra Sesiminas Musicoop (Instagram, Facebook e Youtube), vai prestar homenagem aos profissionais desta área, pessoas que, neste momento particular, tanto têm colaborado na luta contra o novo coronavírus, muitas vezes colocando as próprias vidas em risco – e a de seus familiares também.
 
Seguindo os protocolos, a homenagem foi costurada com a somatória dos vídeos feitos pelos integrantes da orquestra em suas próprias casas. No caso, executando a música “Baião Barroco”, do mineiro Juarez Moreira. 
 
“Essa música tem me surpreendido muito nos últimos anos, já tem várias gravações por outros instrumentistas, isso me dá um conforto e uma satisfação enormes”, conta o violonista e compositor. “Talvez a escolha dela para homenagear profissionais da saúde seja correta no sentido de a composição ter uma influência da música barroca – o próprio nome já sugere. E esse barroco é vasto na minha cabeça, a começar esteticamente, no sentido estritamente musical, por exemplo. Eu ouvia muito Bach, como o ‘Concertos de Brandenburgo’, ou a Suite de ‘Música Aquática’ de Händel, e mesmo Villa-Lobos. Assim, ‘Baião’ agrega muitos estilos de músicas que eu ouvia. E a música barroca tem um grau de espiritualidade muito legal, que sempre me tocou. Tem até uma religiosidade, no sentido maior da palavra. Interpretando a música de Bach, me flagro muitas vezes numa situação espiritual diferente de quando estou tocando outras músicas”.
 
“Baião Barroco” foi composta em 1976 em Guanhães, terra natal de Moreira. “Nós morávamos numa casa que tinha uns espaços generosos, como um quintal, E eu estava numa varada, sentado numa daquelas cadeiras de aço antigas. Eu costumava ficar tocando violão neste alpendre, e me lembro sempre da minha madrasta, trazendo um cafezinho para mim. Me recordo dela neste dia, quando tinha acabado de fazer (a música). Mas na época não me considerava compositor”. A revelação de que tinha ali uma boa música só aconteceu mais tarde, já na capital mineira.
 
“Convivendo com amigos músicos, como Yuri Popoff, Toninho Horta, André Dequech e Lena Horta, eles sempre me perguntavam se eu tinha alguma composição. Dizia: ‘Não sei se sou compositor, gosto de tirar as músicas, mas tem essa aqui’. Nem considerava composição, era muito espontânea. Mas mostrei. E eles começaram a falar: ‘Não, isso aí é uma música, e muito legal’. Então, tem tod uma história por trás de ‘Baião Barroco’. Costumo dizer que virei compostior por acidente, porque gosto tanto de tocar violão, que no meio dos exercícios, ou depois, me vinham algumas ideias’.
 
Em relação ao vídeo que será lançado hoje, Juarez Moreira conta que, após vê-lo, vários sentimentos lhe acorreram. “Primeiramente, achei muito bem executado, o trabalho de cada um, individualmente, foi espetacular. Fiquei emocionado. A mixagem é otima. A equipe toda, na verdade. Muita gente séria trabalhando, e me vem um sentimento de admiração pela seriedade e um orgulho de ser músico, ao ver os músicos ali, cumprindo seu papel, seu ofício, com a maior dignidade. E não só pelo fato de a música ser minha. Neste momento, talvez ela já nem me pertença mais, por já ser tão tocada. Mas realmente vejo muita coisa boa ali (no vídeo)”.
 
Cumpre ressaltar que Juarez Moreira também marca presença no vídeo. “Faço uma licença poética, que é uma alusão a uma música do Chico Buarque e a outra do (Dorival) Caymmi. Tento trazer o Brasil de volta. Costumo usar esse recursos nos meus shows. Faço uma espécie de improviso, uma licença poética, depois volto na música”
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Felipe Magalhães, maestro da Orquestra Sesiminas, conta que a escolha da música “Baião Barroco” para o lançamento do novo projeto virtual do grupo se deveu em grande parte à beleza da composição de Juarez Moreira.
 
“É uma música belíssima, com uma mineiridade muito forte. Esse barroco, é um barroco bem mineiro, então, é uma música muito próxima da gente. E tem uma alegria contida nela que traz uma certa esperança, passa muito bem o recado que a gente quer transmitir, que é o de ter esperança”.
 
Magalhães também ressalta o chamariz de ter Juarez Moreira no vídeo, “fazendo um improviso que é como se fosse um intermezzo contrastante, que acaba funcionando como um contraponto, criando uma certa narrativa que todo mundo que assistir vai poder acompanhar”. Uma narrativa que, prossegue, enfatiza a importância da cura que vem também por meio do trabalho dos profissionais da saúde. O regente destaca, ainda, a participação de Nara Torres, percussionista que integra a orquestra nesse vídeo. “Lembrando também que os arranjos para orquestra são do próprio Juarez Moreira”, emenda Magalhães
Em tempo: o projeto “Dando Corda”, lançado pela Orquestra com o advento da pandemia, vai ter sequência, porém, alternando-se com o “Sempre às Quartas Virtual”, ou seja, de 15 em 15 dias.
 
“Agora, passados alguns meses da pandemia, a gente se deu conta de que é pouco provável que as orquestras tenham condição de retomar os concertos presenciais ainda este ano, então, reformulamos a nossa série em formato de vídeo. Como ela acontecia às quartas, será neste mesmo dia que vão acontecer os lançamentos dos vídeos. O primeiro é esse, com a música do Juarez, no Dia Nacional dos Profissionais da Saúde. E a cada 15 dias, um novo”, promete. 
 
Ele adianta que o próximo será com o spalla Elias Barros, solando. “Depois, vamos mostrar um medley de trilhas do cinema. O nome de Toninho Horta é outro quase confirmado, e também teremos a presença do Tulio Mourão, em um vídeo em torno da trilha sonora do filme ‘O Vestido’, que é de autoria dele”.
 
Não só. O rol de convidados inclui, ainda,  Rodrigo Oliveira, violinista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, executando “Romance em Fá”, de Beethoven, com a Musicoop. “E destaco ainda um outro artista, o Acauã Ranne, que é muito, muito talentoso. Por meio da ONG Contato, vamos fazer um vídeo junto a ele e ao videomaker Artur Ranne. Teremos, ainda, a soprano Melina Peixoto, com ‘Lascia ch’io pianga’, de Händel. Vai ser bem bonito também. Enfim, o público pode esperar várias coisas legais”, conclui.

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