Orgulho e direito de sermos quem somos


A pandemia fez com que milhões de pessoas pelo mundo inteiro comemorassem o Dia Internacional do Orgulho LGBTQI+ de maneira diferente: com suas bandeiras com as cores do arco-íris nas janelas e nas redes sociais.

O 28 de junho é lembrado mundialmente pela Rebelião de Stonewall, nos EUA, em 1969, quando uma ação policial em um bar frequentado por clientes homossexuais gerou descontentamento e seis dias de protestos.

No Brasil, 51 anos depois, temos a triste marca de país que mais matou transexuais no mundo nos últimos dez anos, além de um presidente da República que já disse ser “homofóbico, com muito orgulho”, e que preferiria ver um filho morto em um acidente a vê-lo “com um bigodudo”.

Infelizmente, o presidente que é ridicularizado no mundo inteiro é levado a sério por muita gente que naturaliza um dos preconceitos mais latentes em nossa sociedade.

Os erros da Organização Mundial da Saúde (OMS) estão muito longe de serem os mesmos que Bolsonaro imputa à entidade. Apenas em 2019, durante a 72ª Assembleia Mundial da Saúde, a transexualidade foi oficialmente retirada da lista de doenças mentais da OMS.

Além de termos registrado 124 assassinatos de mulheres trans em 2019, segundo dossiê feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais, temos também a triste marca de, a cada 23 horas, termos um assassinato causado por homofobia.

Tudo isso com a chancela indireta do presidente e de seu governo, que não demonstram interesse algum em realizar ações afirmativas para enfrentar o preconceito e os crimes por homofobia.

Além de querer ficar viva, a população LGBTQI+ quer ser respeitada. Não quer encontrar na escola o ambiente hostil que enfrenta na maioria das vezes e quer ingressar no mercado de trabalho em igualdade de condições. E é nosso dever enquanto civilização garantir isso.

Acompanho essa luta de tantos companheiros e companheiras e vejo que é árdua, mas não inglória. Mesmo com todo atraso, é possível identificar vitórias expressivas nos últimos anos, como a criminalização da homofobia, pelo STF, em 2019.

O otimista, como dizia Ariano Suassuna, é um tolo; o pessimista, um amargo. Por isso, era melhor ser “realista esperançoso”, segundo o genial dramaturgo, escritor e poeta pernambucano. E há, sim, motivos para termos esperança, apesar de tudo.

Em 2020, o STF deliberou que a proibição da doação de sangue por homens homossexuais era inconstitucional. A medida contribuiu para a aprovação do Projeto de Lei 5.207/2018, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, de autoria do deputado estadual e presidente do PT-MG, Cristiano Silveira. O projeto foi apresentado em 2018, dois anos antes da decisão do STF, e contribuiu muito para pautar esse debate na sociedade.

Após vencermos a aberração Bolsonaro, é preciso identificar os caminhos que nos levaram até ele. O sistema que o fez presidente não pode ser mantido, para que o machismo, o racismo e a homofobia sejam firmemente enfrentados.

Isso passa por uma mudança de cultura, que afirme a diferença entre políticas de Estado, duradouras, e de governo, passageiras. O direito de cada cidadão de viver sua sexualidade como bem entender não pode ser visto como afronta a ninguém.

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