Ódio Gourmet

© Lecy Sousa

No mês de março, encontrei no bairro Eldorado, Contagem, um artista que há algum tempo não avistava. Ele até se aproveitou de minha distração momentânea para me assustar.

Abordamos alguns assuntos corriqueiros e fomos parar na política. Foi quando ele me disse uma coisa que ficou em minha mente, ao ponto de forçar o surgimento desse texto.

Ele me disse que a “classe” política se alimenta de ódio e preconceito. Ela come esse cardápio todos os dias com molho madeira, tarantela e azeite extra-virgem. Se faltar ´dio no prato dos políticos, eles entram em convulsão.

Cada líder político pede à sua assessoria ordinária para caprichar no discurso de ódio. Devem escolher bem as palavras para atiçar cada vez mais o ódio em seus opositores. Esse ódio entra por suas veias como a heroina entra, por meio de seringa e agulha, nas veias do viciado em drogas. A sensação ao ver a repercussão do ódio em seus fiéis, assemelha-se a um profundo gozo após a mais afoita das relações sexuais.

Dessa forma, os fiéis de cada lado se agridem cegamente e até se matam na defesa de idéias que nem são delas, mas justificam o ódio particular que foi estimulado, espertamente, por seu político de estimação.

Enquanto isso, a figura política, comedora de ódio gourmet, desfruta de férias maravilhosas nalguma praia deserta ou se esbalda numa hidromassagem de motel cinco estrelas, pagando a conta com  dinheiro público do fiel de dedos afiados ao comentar notícias políticas na Internet e vomitar os restos de ódio do seu ídolo em forma de opinião.

Naturalmente, os ídolos políticos sempre têm razão para seus fiéis seguidores e viverão, também para sempre, à sombra de sua preventiva imunidade parlamentar.

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