O grito da Flor – Por Wilson Albino Pereira – #temporadadetextos

Foto: Wilson Albino Pereira
Wilson Albino Pereira

“Só queria que entendessem que depressão não uma é uma frescura.” Esta é uma declaração dada por *Ana Flor, que entre uma e outra tentativa de acabar com a própria vida, gritou por socorro e o mais bonito de tudo é que por puro humanismo, empatia e bondade, os profissionais da “Associação Comunitária Viva Bem” e seu principal apoiador compreenderam o sinal de alerta e socorro, para o alívio de mais uma alma, foi dado.

João Guimarães Rosa escritor do livro – “Grande Sertão: Veredas”, valeu-se de um personagem, Riobaldo Tatarana, para dizer que a “vida esquenta, esfria e exige coragem da gente”. Contudo, a vida de quem sofre com a depressão torna-se um peso. Esse transtorno do humor causa prostração emocional e uma profunda tristeza capaz de paralisar e enfraquecer a pessoa mental e fisicamente.

Ana Flor há tempos está em tratamento. A depressão, essa doença que de acordo com a ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS), será a mais incapacitante de todos os tempos, já alcançou 300 milhões de pessoas no mundo. Só em Minas Gerais, a depressão atinge 15% das mulheres e 11% dos homens, de acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

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Há uma resistência muito grande em buscar apoio para enfrentar a doença. A vergonha em se expor ainda é o que sequestra o direito ao grito, oprime o peito e aprisiona alma de quem é depressivo. Não são raras as vezes que as pessoas acometidas de depressão sofrem caladas com irritabilidade, ansiedade e angústia; Interpretação distorcida do real, sentimentos de medo, desesperança e abandono. Assim, a doença a qual uma legião de ignorantes considera frescura, arruina e arrasa um sem número de vidas.

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“Há dias bons e ruins”, afirma Ana Flor. “Algumas coisas, às vezes, saem do controle”, continua, “e eu tinha dificuldade de lidar com isso. Mas atualmente estou bem melhor”. Revela.  De 0 a 100, pergunto, você está melhor quanto? “Uns 70, acredito”, responde. Quando questionada sobre os progressos promovidos pelas medicações ela informa que a combinação de fluoxetina e amitriptilina reduziram sintomas como insônia, tremores, ansiedade e pensamentos recorrentes em relação ao suicídio. “Bom…”, afirma, “a fé em Deus me ajudou muito na caminhada”, reforça. “A leitura diária da Bíblia Sagrada também é um remédio”, revela.

 

De acordo com Ana Flor, humanização é a palavra que melhor define a Associação Comunitária Viva Bem. “As consultas com a psicóloga Carliane Batista Ramos de Freitas mostraram-me que eu era forte, poderia enfrentar meus medos e tomar decisões”, informa.  “Foi aí que entendi:  a solução esteve o tempo inteiro em mim”, revela e continua, “inclusive, se me permite, quero parabenizar a ela pela escolha da profissão.  É justamente por causa das consultas com a psicóloga que eu tive vontade de viver novamente” confirma.  “Aproveito também para agradecer a Deus, à Carliane e ao apoiador da “Viva Bem”, Xexeu. É sim, um trabalho de excelência prestado à comunidade, espero que nunca desistam porque é algo muito importante. Graças à “Viva Bem” retomei minha vida e não precisei pagar nada por isso. Quando perguntada se gostaria de deixar uma mensagem, ela foi objetiva: “Sim! Não hesite em procurar a ajuda de um profissional. Não tente resolver o problema sozinho. Depressão não é frescura”, finaliza.

*Ana Flor é um pseudônimo.


*Wilson Albino Pereira é Jornalista e Fotógrafo, entre outras atividades.

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