O desastre econômico


Começam a ser feitas as primeiras projeções sobre o impacto do desastre de Brumadinho na economia mineira. Até agora, a atenção tinha se voltado para a tragédia humana, com perdas de vidas, traumas nos sobreviventes e colapso dos meios de subsistência.

Mas o desastre está produzindo efeitos também na economia, a começar do próprio município, atingindo outras cidades mineradoras e o Estado. Este, enfrentando já uma grave crise fiscal, decorrente de outros fatores, terá multiplicadas suas dificuldades.

Reportagem de O TEMPO do último domingo dá um panorama dos problemas que nos esperam, sobretudo se a Vale paralisar, como pretende, as atividades em várias minas, com o descomissionamento de dez barragens a montante de responsabilidade da mineradora.

Segundo estudo da Fiemg, a indústria extrativa no Estado terá uma queda de 14% na produção e deixará de faturar R$ 25 bilhões em 2019. Nos demais setores da economia, as perdas serão de R$ 67 bilhões. O PIB mineiro sofrerá uma queda de 7,3%.

O Estado deixará de oferecer 850 mil empregos. A arrecadação direta terá uma queda de 4,3%. Segundo a UFMG, a desativação das dez barragens vai gerar o fechamento de 15 mil postos de trabalho diretos, com reflexos no comércio e em outras atividades.

Dois meses depois do desastre de Brumadinho, os efeitos já se fazem sentir. A produção de minério de ferro caiu, e o aço já está custando 10% mais caro. Pode faltar matéria-prima, já que outras mineradoras produzem exclusivamente para exportação.

Os efeitos estão se refletindo não só na cadeia produtiva do minério e do aço, na siderurgia, na metalurgia, na indústria mecânica e automotiva, mas também em setores como nos transportes terrestres, na energia elétrica, no comércio e até na alimentação.

O desastre está demonstrando a urgência de o Estado diversificar sua atividade econômica.

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