O coronavírus e a globalização



O coronavírus é um fenômeno mundial e atua como agente que contamina o conjunto do sistema, e se transmite com muita eficiência e com uma taxa e crescimento exponencial. O que inicialmente foi uma epidemia localizada na região de Wuhan, China, progressivamente se expandiu e se converteu em pandemia de difícil controle para os sistemas nacionais de saúde pública.

O lugar de origem do vírus diz muito sobre a globalização: uma sociedade onde convivem a maior dinâmica econômica do planeta e práticas tradicionais das populações em seu relacionamento com os bosques e espécies silvestres; mercados onde essas espécies são vendidas, situados em cidades com milhões de habitantes e interconectadas com o planeta.

Wuhan, o ponto de origem do vírus, é um alerta sobre a explosão incontrolável de efeitos que resulta de práticas de relacionamento com os bosques primários, e com a caça de animais silvestres que no passado podia ser sustentável, mas hoje, impelida pela urbanização acelerada e pela concorrência exacerbada, gera desastres mundiais.

O sistema hierárquico de autoridade que caracteriza a civilização tradicional chinesa se reordenou em sua forma atual, um regime disciplinador que combina autoridade e mercado em uma lógica de concorrência agressiva com as economias ocidentais, o que catapultou a China ao posto de segunda maior economia do planeta, abaixo dos Estados Unidos, na corrida geopolítica da economia mundial. Mas a lógica do autoritarismo vem sendo eficiente para o crescimento exponencial da economia chinesa e, se esta foi a plataforma ideal para a expansão da pandemia, também o foi na hora de enfrentá-la: grande capacidade de comandar as operações de reclusão e confinamento de vastas áreas geográficas, e de cidades imensas; grande capacidade de resposta, em termos de construção de infraestrutura e da disciplina que esse tipo de operação requer.
Leia mais (04/01/2020 – 17h48)

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