Nossos garotos

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A releitura de “Os Sertões” de Euclides da Cunha (1902), homenageado da Flip 2019, nunca foi tão necessária. De suas páginas arrebatadoras, cabe pinçar um trecho em especial. Nele, os soldados do governo, já quase no fim da vergonhosa batalha fratricida, se deparam com um “soldado” conhecedor e desenvolto no manuseio das armas, que não titubeia em responder que matara durante os combates, enquanto fuma um cigarro. Nada de especial, se não se tratasse de um combatente de nove anos de idade. Cunha dirá: “Aquela criança era, certo, um aleijão estupendo. Mas um ensinamento. Repontava, bandido feito, à tona da luta, tenso sobre os ombros pequeninos um legado formidável de erros. Nove anos de vida em que se adensavam três séculos de barbaria.” O texto segue denunciando com palavras inesquecíveis a presença de um Estado que promove aquilo mesmo que diz combater. Afinal, uma sociedade na qual o cidadão não tem direito à infância fomenta a barbárie.
Leia mais (01/29/2019 – 02h00)

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