'No Atlético, sempre teve a política de reeleição', aponta Sette Câmara


Os últimos movimentos do presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, têm indicado algo que ele sempre evitou abordar: a candidatura à reeleição. Anteriormente discreto e não afeito a exposições públicas, o dirigente está mudando gradativamente a postura.

Desde manifestações nas redes sociais para anunciar contratações, como as ocorridas nos acertos com Diego Tardelli e o técnico Jorge Sampaoli, uma “regra” de seu antecessor Alexandre Kalil, a declarações mais efusivas para inflamar a Massa: “Não vamos cruzeirar aqui. Estou cuidando bem do Galo”, disparada na coletiva no CT, em fevereiro, em alusão à grave crise financeira pela qual passa o rival.

Embora não crave publicamente, as entrelinhas demonstram que Sette Câmara iniciou a campanha para seguir como presidente do Galo. A eleição, ainda sem data marcada, ocorrerá no fim deste ano. O vencedor comandará o alvinegro de 2021 a 2023.

“No Atlético, sempre teve a política de reeleição normalmente. Tenho trabalhado muito e entendo que um presidente não pode ser medido só pelos resultados dentro de campo, mas, também, naquilo que ele tem feito na parte administrativa. Não tivemos um desempenho maravilhoso em campo, aliás, está longe disso, mas não tivemos nenhum risco de dizer que o Atlético estaria do ponto de vista financeiro totalmente desequilibrado. Fizemos uma gestão com responsabilidade durante esses anos”, defendeu Sette Câmara, em entrevista à rádio Massa, na sexta-feira.

Minimizar os maus resultados em campo e enaltecer a gestão “responsável”, aliás, tem sido o mote do cartola para mostrar aos conselheiros que deve seguir à frente do alvinegro. E parece que tem surtido efeito.

“Ele (Sette Câmara) está sendo responsável com as finanças do Atlético, sem fazer loucuras, gastos exorbitantes. Todo mundo lá (conselho deliberativo) está aprovando isso”, avaliza um conselheiro deliberativo, que prefere não ser identificado.

Politicamente, Sette Câmara tem apoio de quem pode elegê-lo. Nas arquibancadas, a insatisfação dos atleticanos comuns com a ausência de taças é abafada pelas facções organizadas, que acabam tendo mais voz nos estádios. Esse comportamento, inclusive, chama a atenção. Afinal, a paciência de uma torcida exigente e vibrante como a do Atlético não é algo muito usual. Sobretudo, por se tratar da principal organizada do clube, o que poderia sugerir uma parceria tácita com o presidente do Galo.

Sette Câmara, contudo, tem na ponta da língua a explicação para a escassez de títulos, em dois anos e três meses no comando atleticano.

“Futebol está diretamente ligado a dinheiro. O que pesou muito na impossibilidade de investir mais nesse tempo, é porque tivemos que pagar muita coisa. Ao mesmo tempo, um time que no primeiro ano conseguiu vaga na Libertadores, não foi bem, mas chegamos à semifinal de Sul-Americana. Tudo isso, dentro das condições que recebemos o clube. Não estou dizendo nada do Daniel (Nepomuceno), que também estava tendo dificuldades financeiras. O Atlético sempre viveu muita dificuldade. Às vezes, o time encaixa, às vezes, não. Estou vivendo agora o meu terceiro ano e acho, sim, legitimado para sair por um segundo mandato. Mas vou deixar para decidir mais em cima da hora, deixa acontecer o restante do ano”, desconversou Sette Câmaran na entrevista à rádio Massa.

“Independentemente de ser reeleito ou não, vou sempre torcer para que o Atlético esteja bem. Nasci atleticano, quem me conhece sabe que eu frequentei o Mineirão. Amo o Atlético e acho que acima de qualquer questão politica está o nosso clube, não podemos ter dentro da nossa relação aqueles que vestem a camisa, mas que torcem contra”, cutucou o mandatário do Galo.

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