Músicas que curam: ciência mostra que sons podem ajudar a tratar doenças


Quando tudo parece fora do normal, ouvir sua playlist favorita pode ser reconfortante e fazer com que o dia seja menos solitário. Há quem jure também que algumas músicas são as melhores companhias para se sentir no clima de “sofrência”. Na internet, tem playlist para todos os gostos: música para o trabalho, para o estudo, para a academia, tem até música good vibes. Mas a verdade é que diferentes estudos comprovam que a música pode ter diversos efeitos no corpo, inclusive sendo capaz de liberar a dopamina, mais conhecido como “hormônio do prazer”.

Segundo os especialistas, além do bem-estar, a música pode despertar também emoções cruciais para o tratamento de certas doenças. Não é de se espantar, portanto, que mergulhemos em um turbilhão de sentimentos e memórias toda vez que ouvimos nossas canções favoritas.

Presente na alegria e na tristeza, a música, segundo a doutora em neurociência, Marília Nunes Silva, minimiza e trata doenças, a medida que recupera funções e atua sobre o físico e o emocional do paciente. A música nesses casos, segundo a psicóloga e musicista, é remédio. “A música está muito associada ao poder emocional e à autorregulação das emoções, ela possui uma base neurobiológica, que ativa áreas cerebrais ligadas a emoções. Ela é uma função cognitiva complexa que permite que a gente induza respostas fisiológicas. Uma música pode acelerar o ritmo cardíaco ou a respiração. Para se ter uma ideia, a música pode expandir vasos sanguíneos, melhorando a circulação, além de estimular a produção de endorfina, que auxilia na redução do estresse”, explica a professora da Escola de Música da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). 

Há dois anos pesquisando sobre os estímulos musicais e as emoções, de acordo com a neurocientista, quando começamos a ouvir uma música ou qualquer outro som, as ondas de rádio que são emitidas são traduzidas em uma cadeia de sinais eletroquímicos que atingem o córtex auditivo. Esse movimento faz com que o som que entra pelos nossos ouvidos ative outras áreas do nosso cérebro como a memória, a atenção e a emoção. “A resposta da música é quase que imediata. Eu costumo dizer que, além daquela fórmula conhecida para o bem-estar, como tomar água, sol e comer bem, a gente deveria escutar todo dia alguma música que nos faça bem – e, por que não, cantar chuveiro também”, pontua a especialista.

Alívio
Durante três anos, os corredores dos setores de pediatria e das Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e de Cuidados Prolongados (UCPs) do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, foram tomados pelo projeto “Musicoterapia Hospitalar: Olhares Empáticos, da UFMG”. Atualmente, parado por conta da pandemia da Covid-19, a proposta do projeto de extensão da universidade é proporcionar o alívio da ansiedade e do estresse para aqueles que estão em tratamento. 

De acordo com a coordenadora do projeto e professora do Departamento de Instrumentos e Cantos da universidade, Marina Horta Freire, a iniciativa favorece a recuperação e a melhoria da resposta aos tratamentos hospitalares pelos pacientes. Segundo a musicoterapeuta, a música pode ser aplicada tanto de forma preventiva como terapêutica, sendo usada em atividades recreativas com crianças, jovens, adultos e idosos saudáveis para minimizar os sintomas de doenças mais graves como Parkinson, câncer, além de casos de depressão e estresse. 

“Para crianças com atraso de fala ou síndrome genética, como autismo, a musicoterapia pode auxiliar no desenvolvimento, além da função terapêutica. Já nos idosos, se o objetivo é retomar a memória, a música tem esse benefício. Nos tratamentos, a música dá suporte emocional, auxiliando que a pessoa fique menos nervosa, e digo que ela ajuda no ‘desmame’ do uso de aparelhos, porque, à medida que essa pessoa se sente melhor, ela respira melhor e consegue não depender de ventiladores mecânicos, por exemplo”, ressalta.

Por conta das medidas de isolamento, algumas ideias tiveram que se reinventar, e, por isso, a Escola de Música da UFMG criou o projeto Música para Quem Cuida, que leva apoio a pessoas que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus. Coordenado também pela doutora em música Marina Freire, o projeto permite que qualquer pessoa dedique canções a profissionais da saúde. As músicas são aprovadas pela equipe do projeto, depois são interpretadas por musicoterapeutas e estudantes da área e postadas nas redes sociais. Mais de cem vídeos já foram publicados pelo perfil do Instagram @musicoterapiaufmg.

“A musicoterapia com certeza ajudaria pacientes de coronavírus. A questão é a presença de música ao vivo, que é algo complicado no contexto que estamos vivendo”, destaca. 

 

 
 
 
 
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MÚSICA PARA QUEM CUIDA A música de hoje é dedicada à Joyce Santos, que trabalha na limpeza do Hospital Odilon Behrens (Belo Horizonte/MG). O pedido foi feito por Patrícia Araújo, que enfatiza a importância de valorizarmos esses profissionais que também estão na linha de frente e muitas vezes não têm o reconhecimento que merecem!!! A canção Linda Demais (Roupa Nova) foi interpretada por Julia Monteiro, graduanda em Musicoterapia da UFMG e extensionista do Projeto Musicoterapia Hospitalar Olhares Empáticos. Música Para Quem Cuida é uma ação do Projeto Musicoterapia Hospitalar Olhares Empáticos (UFMG) em apoio aos profissionais da saúde que estão enfrentando o novo coronavírus. Se você é um desses profissionais, envie sua dedicatória musical para nosso direct no Instagram @musicoterapiaufmg ou email musicoterapia.hospitalar.ufmg@gmail.com #musica #musicoterapia #musicaparaquemcuida #musicoterapiaufmg #reverberamusicoterapia #fiqueemcasa #ficaemcasa #extensaoremotaufmg #extensaoufmg #musicaufmg #ufmg #lindademais #roupanova #odilonbehrens #hospitalodilonbehrens #linhadefrente @ufmg @extensaoufmg @musicaufmg @musica.ufmg @susquedacerto @roupanova @juliasmonteiro @joycesantos3482 @araujo_paty

Uma publicação compartilhada por Musicoterapia UFMG (@musicoterapiaufmg) em 9 de Ago, 2020 às 2:00 PDT

 
Exemplos
No documentário “O Poder da Música” (“The Power of Music”), disponível na Netflix, o musicoterapeuta britânico Oliver Sacks acompanhou pessoas com doença de Alzheimer. Esses pacientes, ao serem expostos a músicas que costumavam escutar na juventude, se emocionaram tanto que conseguiram cantarolar algumas dessas canções. Nos Estados Unidos, existe um programa musical usado pelo Exército para ajudar soldados que estiveram no Iraque e no Afeganistão e que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático e lesões cerebrais.

Som e fúria
As associações do que definem o que é uma música boa ou ruim vão depender do gosto particular de cada um. Os diferentes gêneros musicais podem provocar reações diversas entre as pessoas, segundo a professora da Escola da Escola de Música da UFMG Marina Horta Freire. 

Entretanto, o “mau gosto” do seu vizinho pode ter explicação. Segundo neurocientistas, aquilo que consideramos como barulho pode restringir a circulação, aumentar níveis de estresse e reduzir a força do sistema imunológico. 

“Não existe farmacologia para a música, cada música é individual e tem a ver com a sua cultura. Para uns, funk e sertanejo nem é música, é barulho. Se uma música é alegre ou triste, também vai depender da história de vida e do contexto em que ela é ouvida. Todos os gêneros podem ser benéficos. Não é o estilo que faz diferença, o mais importante é que você goste da música. Se você não apreciar, o cérebro vai interpretar como ruído”, explica.

Emoções
Um estudo publicado neste ano pela Universidade Berkeley, nos Estados Unidos, mapeou 13 emoções que a música pode causar. Segundo os pesquisadores, algumas canções provocam o mesmo sentimento independentemente da cultura, sendo diversão, alegria, erotismo, beleza, relaxamento, tristeza, sonho, triunfo, ansiedade, medo, aborrecimento, desafio e animação. 

Enquanto algumas músicas como “As Quatro Estações”, de Vivaldi, fizeram com que os entrevistados do estudo se sentissem mais relaxados, a trilha sonora do filme “Psicose”, de Alfred Hitchcock, evocou o medo. Na pesquisa, “Let’s Stay Together”, de Al Green, foi classificada como sensual, enquanto “Somewhere over the Rainbow”, de Israel Kamakawiwoʻole, fez com que os entrevistados ficassem mais felizes. Para o estudo foram analisados mais de 2.000 voluntários norte-americanos e chineses. 

Também provando que certas músicas podem nos trazer apelos emocionais, pesquisadores da Universidade do Wisconsin, nos Estados Unidos, concluíram que o som de um staccato tende a nos colocar em alerta, enquanto tons longos e descendentes têm efeito calmante.

Música para alterar o humor 

O que não faltam por ai são playlists que prometem acalmar ou ajudar a se concentrar. Um estudo realizado pelo laboratório de neurociência da Inglaterra, Mindlab, montou uma playlist para quem busca combater a ansiedade. A pesquisa descobriu quais seriam as dez músicas mais relaxantes do mundo. Segundo o estudo, algumas das músicas são capazes de reduzir até em 65% o nível de ansiedade. Separamos algumas para você ouvir. 

1. Weighless (Marconi Union)

2. Electra (Airstream) 

3. Mellomaniac – Chill Out Mix (DJ Shah) 

4. Watermark (Enya)

5. Strawberry Swing (Coldplay) 

6. Please Don’t Go (Barcelona) 

7. Pure Shores (All Saints) 

8. Someone Like You (Adele) 

9. Canzonetta Sull’aria (Mozart) 

10. We Can Fly (Café Del Mar) 

 



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