Motoristas de ônibus suplementares fazem carreata em apoio a CPI da BHTrans


Mais de cem motoristas de ônibus do transporte suplementar de Belo Horizonte fizeram nesta terça-feira (20) uma carreata com início no Estádio Mineirão rumo à Câmara Municipal para apoiar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga supostas irregularidades em contratos e serviços executados pela BHTrans na cidade. Os representantes da categoria foram recebidos na sede do Legislativo pela presidente Nely Aquino (Podemos) e por Gabriel Azevedo (sem partido), presidente do colegiado.

 

De acordo com Azevedo, os representantes da categoria entregaram à CPI uma série de documentos com denúncias relativas à BHTrans e à Transfácil por corrupção e falha no repasse dos recursos para os permissionários. “Uma das denúncias mais graves é que aquele adiantamento feito pela Prefeitura de Belo Horizonte para a Transfácil na casa de R$ 44 milhões não foi repassado para eles como previa o acordo. Estamos estudando se convocaremos pessoas da Transfácil na CPI”, afirmou o vereador. Foi entregue também uma lista de sugestões de melhoria no transporte da capital que deve ser apresentada ao presidente da empresa de trânsito da capital, Diogo Prosdocimi em reunião.

 

Um dos representantes da categoria, Fábio Filomeno de Jesus, trabalha com o transporte suplementar há cerca de 20 anos, disse que o grupo foi dar apoio integral à CPI, mas queria uma contrapartida de que a BHTrans utilizasse as linhas suplementares como deveria ser desde o início. “Começamos com 38 linhas em 2001, 20 anos depois estamos com 24 linhas. E fora os impedimentos que a BHTrans nos faz, temos 300 ônibus novos que atende a lei de acessibilidade e somos impedidos de entrar nas estações pelo transporte convencional. Impedidos de entrar na linha do BRT, impedido de entrar na (avenida do) Contorno e região hospitalar. Ou seja, suplementar é impedido de fazer o que o próprio nome fala, suplementar o sistema convencional”, declarou.

 

Perguntado se os motoristas suplementares também apoiam a ideia de extinção da empresa de transportes que começa a tramitar na Câmara Municipal, Fábio de Jesus disse que no cenário atual, a BHTrans “tem que ser extinta mesmo” porque não entrega um transporte de qualidade para a população e que o que vier de novo para cumprir realmente o papel de mobilidade e transporte, será bem-vindo.

 

“Nós éramos ex-perueiros, fomos legalizados em 2001 com a proposta de ter um transporte que ia suplementar, mas ao longo dos anos nada disso aconteceu. Viemos em uma batalha ferrenha e essa CPI foi a luz no fim do túnel para que a gente tivesse voz”, afirmou.

 

A CPI da BHTrans deve ouvir em reunião na manhã desta quarta-feira (21) dois representantes dos permissionários do transporte suplementar na cidade. A ideia é ouvir a categoria novamente no mês de agosto.

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