Mostras estreiam nesta semana e lançam um olhar para Brasil e França


No fim dos anos 90, o diretor baiano André Luiz Oliveira se envolveu em um projeto que pretendia adaptar o livro “O Povo Brasileiro”, de João Ubaldo Ribeiro, para o cinema. A proposta ficou pelo caminho devido a uma série de dificuldades e contratempos na produção. No entanto, há um par de anos, Oliveira retomou a ideia com outro olhar.

É isso que está em “O Outro Lado da Memória” (2018), empreitada sobre o filme que nunca foi feito e está na mostra “Perspectiva André Luiz Oliveira”, que começa amanhã e integra a programação do Verão Arte Contemporânea (VAC). “Rodei o documentário entre 2017 e 2018 com uma leitura de saber lidar com a frustração, sem lamentar, e investigar porque o filme não foi rodado. Ficou mais denso e profundo que uma ficção”, diz o realizador, que estará, na quinta e na sexta, em duas sessões comentadas.

Além de “O Outro Lado da Memória”, outras três produções de Oliveira ganharam espaço nessa retrospectiva dedicada ao cineasta. Embora tenham distintas linguagens abordagens estéticas, “Cozinheiro do Tempo”, “Zirig Dum Brasília – A Arte e o Sonho de Renato Mato” e “Exu Iluminado” têm algo em comum. “Cada um desses documentários retrata o artista em seu ofício. Considero-os muito importantes e eles não têm a visibilidade que grandes artistas devem ter. Mas, por outro lado, é muito importante a postura deles com relação a isso”, comenta.

Cinema francês

Outra mostra de que integra a programação do VAC visita a produção audiovisual francesa nas décadas de 50 e 60. Filmes de Henri-Georges Clouzot, Louis Malle e Jean-Luc Godard, que precederam ou integraram o movimento Nouvelle Vague, compõem a “Panorama do Cinema Francês”. 

O crítico Maurício Vasconcelos, que participa de um bate-papo amanhã, no Sesc Palladium, após a exibição de “O Demônio das Onze Horas”, de Godard, às 19h, diz que aquele período revela uma mudança importante na criação cinematográfica do país: “Mostra a passagem de uma cinema literário, ainda muito fundado na narrativa, para um tipo de produção que experimenta a linguagem, buscando outros modos de narrar. É um período em que as questões do pós-guerra são trazidas pela filosofia do existencialismo”. 

Programe-se

A “Panorama do Cinema Francês” acontece nesta terça e quinta, às 17h, 19h e 21h, no Palácio das Artes – Cine Humberto Mauro (av. Afonso Pena, 1537, Centro), e quarta, às 19h, no Sesc Palladium (av. Augusto de Lima, 420, Centro). De quarta a domingo, o público pode conferir a “Perspectiva André Luiz Oliveira”: quarta e sexta, às 17h, 19h e 21h, no Cine Humberto Mauro; de quinta a sábado, às 19h, e domingo, às 16h, no Sesc Palladium. Toda a programação tem entrada franca com retirada de ingressos 30 minutos antes de cada sessão. 

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