Moderação necessária


A aglomeração nas ruas de Macacos, distrito de Nova Lima, no feriado de Tiradentes, demonstra visualmente a distorção de entendimento de que a flexibilização do isolamento significa o fim da pandemia. Não é.

Em plena quarta-feira, filas de carros no acesso à região turística, corridas às cachoeiras e amontoados de pessoas sem máscara em frente de bares na localidade são um sinal preocupante de que o risco de uma terceira onda pode brotar por causa da negligência e da ignorância.

Nova Lima permanece sob regime da Onda Vermelha, que prevê restrições como distanciamento mínimo de 3 m entre os clientes de bares e restaurantes e uso obrigatório de máscaras justamente para evitar a proliferação do coronavírus, que já matou mais de 150 moradores.

Em situações normais, seria motivo de alegria o retorno dos turistas a uma região que foi duramente afetada pelo risco de rompimento de barragens de mineração antes mesmo da pandemia e que precisa urgentemente de recuperar a fonte de subsistência de seus moradores. Mas a falta de consciência dos visitantes pode ser não só predatório para o turismo, como um problema de saúde para toda a região metropolitana.

O TEMPO revelou ontem que, em Belo Horizonte, origem de muitos desses turistas, há mais internados com Covid-19 hoje do que no início do fechamento comercial mais rigoroso e que o controle foi obtido pelo aumento da oferta de leitos. Além disso, as novas variantes do vírus são mais eficientes na transmissão e atingem gravemente pacientes cada vez mais jovens (40% dos mineiros infectados têm entre 20 e 39 anos). Consciência e moderação são a chave para uma reabertura segura e duradoura e para que o prazer de visitar as belezas do Estado não se torne um risco à vida.

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