Minissérie 'Um Dia Qualquer' aborda as milícias cariocas em tom de tragédia grega



Nos primeiros anos deste século, “milícia” ainda não era uma palavra incorporada ao nosso vocabulário cotidiano. Mas o fenômeno já existia: em bairros pobres das zonas norte e oeste do Rio de Janeiro, associações informais entre policiais da ativa e agentes aposentados se propunham a “limpar” essas áreas da influência do narcotráfico.

Os métodos não eram legais: intimidação, extorsão, execuções sumárias. Mas o sucesso fez com que esses justiceiros logo passassem a controlar regiões inteiras, tornando-se um flagelo ainda pior que os traficantes de drogas.

Foi nessa época que o diretor e roteirista Pedro von Krüger escreveu a primeira versão de “Um Dia Qualquer”. O projeto nasceu como um longa para os cinemas, e passou por diversas fases. Rodado em 2019, o filme deveria ter entrado em cartaz em fevereiro deste ano, e acabou tendo a estreia adiada. Mas o público poderá conhecer agora uma versão mais extensa: uma minissérie em cinco episódios, que estreia nesta segunda (17) no canal pago Space.

“Apresentamos a ideia para o grupo Turner, e eles nos disseram que tinha tudo a ver com o Space”, conta von Krüger em entrevista por videoconferência. “Mas nos pediram conteúdo extra, exclusivo para a TV, para exibir “Um Dia Qualquer” em formato de minissérie. Mas como fazer isto? A história já estava fechada e, como o próprio título indica, acontece toda em um único dia”.

A solução foi acrescentar cenas em flashback, que se passam dez anos antes do dia em questão. “Essa história pregressa dos personagens já existia, mas não seria filmada. Resolvemos então mostrá-la, e as motivações ficaram mais claras”, acrescenta o cineasta.
Leia mais (08/14/2020 – 13h50)

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