Migração no ensino infantil deve obrigar PBH a criar 24 mil vagas


Entre 30% e 40% dos contratos de crianças matriculadas em escolas privadas de educação infantil de Belo Horizonte já foram cancelados desde o início da pandemia. As estimativas são do Sindicato das Escolas Particulares de Minas (Sinep). Se todos esses alunos migrarem para a rede pública de ensino, a Prefeitura de Belo Horizonte terá que abrir, pelo menos, 24.222 vagas para crianças entre 0 e 5 anos em 2021. O último Censo feito pelo Sinep, em 2019, mostra que 60.557 crianças estão matriculadas nas 902 escolas privadas de educação infantil, entre creche e pré-escola. 
Questionada sobre a migração da rede particular para a pública, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) informou que ainda não há como medir essa movimentação, uma vez que o processo é iniciado de forma presencial, e nenhuma escola está atendendo presencialmente.
A previsão, segundo a Smed, é que, para 2021, seja feito um recenseamento de vagas e anunciado um mecanismo de cadastro excepcional. A rede pública da capital tem, atualmente, 86.160 crianças matriculadas na educação infantil, sendo 53.160 na rede própria e 25.816 em creches parceiras.
Sem perspectiva de retorno das atividades e sem a possibilidade de escolas infantis computarem carga horária com aulas online, a presidente do Sinep, Zuleica Reis Ávila, revela preocupação. “Como não existe obrigatoriedade de as crianças de 0 a 3 anos estarem matriculadas em uma escola, muitos pais desistiram de manter (a matrícula) devido ao longo período de pandemia e à falta de data para retorno. A maioria das escolas para essa faixa etária já teve mais de 50% de contratos cancelados”, alerta. Para as instituições que atendem crianças de 4 e 5 anos, faixa em que a matrícula é obrigatória, o que preocupa é a inadimplência de 50% dos contratos. 
Zuleica também se mostra preocupada com os empregos nessas instituições, que, sem perspectiva de retorno, acabam demitindo funcionários. “Isso provoca não apenas instabilidade da sobrevivência da escola, mas uma onda de demissões e desemprego. Calcula-se que, na educação infantil, estejam empregadas mais de 10 mil pessoas em escolas particulares de BH”, diz. Ainda não há dados sobre quantos trabalhadores perderam o emprego no setor.
Método híbrido
A perspectiva de retorno das atividades escolares presenciais não existe. Segundo a secretária municipal de Educação, Angela Dalben, a pasta tem desenvolvido alguns testes no que chama de ensino híbrido. 
“As técnicas de se fazer isso são variadas e passam por desde atividades periódicas feitas em casa, a ambientes virtuais de aprendizado ou mesmo pelo desenvolvimento de atividades assistidas em grupos menores. Isso, com certeza, fará parte do novo normal, tanto de escolas particulares como das redes públicas”, detalha.
O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), chegou a afirmar, em uma entrevista à rádio CBN na última semana, que a validação de uma vacina é a única forma de as atividades escolares voltarem ao normal na capital mineira e descartou a adoção de um regime de ensino remoto, assim como o governo do Estado fez.
Perfis de alunos
Pesquisas realizadas desde o início da pandemia apontam que a rede municipal de educação em BH vai precisar individualizar grupos de alunos conforme suas demandas e possibilidades, explica a secretária Angela Dalben. 
Até o momento, já foram detectados três perfis com necessidades educacionais distintas. O primeiro engloba crianças com bom acesso e familiaridade com os meios digitais; outro grupo não se mostra adepto às mediações online, mas é bem-sucedido no aproveitamento do livro didático e na retirada de atividades orientadas em meio físico; e um terceiro grupo é formado por alunos que precisam de encontros mais frequentes na escola para manter a rotina efetiva.
Um quarto grupo ainda se mostra, na realidade, concentrando crianças que, por pertencerem a grupos de risco, demandarão mediações presenciais em domicílio, com número de visitas avaliado individualmente. “Não há uma única estratégia que funcione para todas escolas, crianças e famílias da rede municipal”, conclui a secretária.
Desde junho, conforme a Smed, os professores da rede municipal estão trabalhando remotamente para levar as atividades semanais aos alunos. Por meio das redes sociais da escola, de e-mail e da distribuição física de materiais em casa ou recolhidos na escola ou em ponto comercial próximo, os conteúdos têm chegado aos alunos, mas sem contarem como parte das ementas de cada série. 
“O programa implementado não está focado no cumprimento de calendário, mas na reconstrução de metodologias e práticas pedagógicas no contexto da pandemia e suas consequências”, informou a pasta por meio de nota. 
 

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