'Lindinhas' é um filme sutil sobre a forma como adultos atraiçoam crianças



Sou como o cachorro de Pavlov: ouço falar em polêmica e lá vou eu, salivando e agitando a cauda, em busca de mais um osso. Agora, o osso dá pelo nome de “Lindinhas”, o filme de Maïmouna Doucouré em exibição na Netflix.

Nas palavras de Mariliz Pereira Jorge, o filme teve o mérito de desagradar a reaças e progressistas: ambos deploraram a “sexualização da infância”, embora por motivos distintos.

Os primeiros em nome dos “bons costumes”. Os segundos, de inclinação feminista, porque não gostam de ver homens babando com meninas pré-púberes.

Assisti ao filme. No final, pedi tratamento neurológico: a minha cabeça já não é o que era. “Lindinhas”, na minha defeituosa interpretação, é um filme sutil sobre a forma como os adultos, sejam eles reaças ou progressistas, atraiçoam as crianças. Por submissão ou abandono, entregam-nas à tirania da tradição ou da carne.

Entender isso passa por falar de Amy, interpretada por Fathia Youssouf, a espantosa protagonista do filme. Li vários artigos sobre a polêmica. Mas contam-se pelos dedos de uma mão aqueles que usaram essa pequena e desconfortável palavra: Islã.

Pois é: Amy é filha de pais muçulmanos imigrados na França e o destino que a espera não é muito diferente do destino da mãe. Casar (muito cedo); obedecer ao macho; e, quando o macho decidir trazer outra mulher para casa, aceitar a poligamia com um sorriso nos lábios.

Verdade que a mãe de Amy não tem um sorriso nos lábios. Na melhor sequência do filme, vemos Amy, escondida debaixo da cama da mãe, a escutar o choro daquela pobre mulher porque o homem foi ao Senegal buscar mais uma donzela.
Leia mais (09/17/2020 – 13h00)

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