Leitura como Salvação na Quarentena – por Isa de Oliveira – #temporadadetextos

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A vida seguia tranquila até que uma dia… parou todos nós, fomos obrigados e obrigadas a nos trancarmos em casa, sem exceções. E o que fazer dentro de casa preso com acesso as novas tecnologias, capazes de nos transportar para universos diversos do mundo do entretenimento?

De imediato buscamos streamings gratuitos, lives intermináveis e a vida presencial se transportou para a tela. Mas esquecemos que antes de qualquer tecnologia da informação projetada em bits, havia uma que desde a oralidade, foi capaz de nos transportar para além muros.

Enquanto a pandemia se arrastava por dias, semanas e meses…a projeção diária cansava nossa íris ocular e o descanso que muitos procuraram foi o livro. A imprensa começa a divulgar o crescimento repentino do comércio on-line e as alternativas buscadas pelo mercado editorial de atender esse público enclausurado é fazer chegar o livro até esses leitores.

“Ah, mas minha cidade não tem livraria”. O mercado virtual fez as pessoas descobrirem que o livro está por toda a parte. “Não tenho tempo pra ler.” Os livros estão na rede, no mesmo dispositivo que você gasta para ver filmes, lives e bate-papos, disponíveis seja para download, seja para aquisição, seja para empréstimo ou trocas etc. As desculpas não se justificam para deixar de ser leitor. E a pandemia resgatou esses leitores perdidos, pela falta de livrarias, pela falta de tempo e oportunidade.

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Não por acaso, a pandemia resgata o hábito da leitura e do consumo livreiro, e foi preciso parar a vida das pessoas e entender que é possível sair do nosso casulo, da nossa caixa preta e enxergar o que estamos vivenciando por meio do livro. Obras clássicas e temáticas do contexto atual foram resgatadas para podermos compreender o que estamos enfrentando. Só para citar algumas das obras mais procuradas nesse momento, na literatura temos “A Peste”, de Albert Camus, (editora Record), “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago (editora Cia das Letras), “Vamos comprar um poeta”, de Afonso Cruz (editora Dublinense) até mesmo Histórias em Quadrinhos como “La Dansarina”, de Jefferson Costa (editora Jupati Books), “O Eternauta 1969”, de Héctor Oesterheld (editora Comixzone) e “Primavera em Tchernóbil”, de Lepage Emmanuel (editora Geektopia). Esses exemplos são para citar o quanto a literatura e as HQs podem nos fazer enxergar a realidade e nos transpor para fora do nosso universo residencial e compreender o que está acontecendo fora dela.

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Não só os jornais diários retratam o que estamos encarando durante esses seis meses de pandemia. O que vivenciamos, hoje, já foi explorado pela literatura e pela nona arte, e paralelos à realidade nua e crua, nos ensinam que a ficção é reflexo da nossa vida. E com ela aprendemos a entender as causas, as consequências e como sobreviver a isso, além de reflexões sobre o nosso comportamento diante de uma crise sanitária como essa. Enquanto buscamos a cura, a literatura e os quadrinhos podem ser a nossa salvação de enlouquecermos ao passarmos tanto tempo presos do mundo externo, do contato social, do convívio com o que estávamos acostumados no nosso dia a dia se soubéssemos do seu poder de nos libertar das nossas próprias clausuras mentais e físicas.


*Isa de Oliveira
poetisa, escritora, artista, revisora, resenhista, agente de revisão, pesquisadora
Doutoranda em Estudos de Linguagens- Letras CEFET/MG (Histórias em Quadrinhos e Edição)
Mestra em Estudos de Linguagens-Letras CEFET/MG (Poesia digital, Ciberpoesia)
Pós-graduada em Gestão Cultural: Cultura, Mercado e Desenvolvimento – Senac/MG
Especialista em Comunicação:Imagens e Culturas Midiáticas – UFMG
Especialista em Linguística – Língua Portuguesa – UGF
Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental – EPPGG
Graduada em Administração Pública – EG/FJP
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