'Irmandade' faz protagonista e espectador questionarem conceitos de justiça


Filmada em uma ala desativada de um presídio real, em Curitiba, a série “Irmandade”, que estreia dia 25 na Netflix, retrata a ascensão de uma facção criminosa. Primeira parceria entre O2 Filmes com a gigante do streaming, a atração tem Seu Jorge e Naruna Costa como protagonistas e conta com Pedro Morelli na concepção e na direção-geral e Andrea Barata Ribeiro na produção. 

“Irmandade” é ambientada nos anos 90, 20 anos após a prisão de Edson (Seu Jorge) por tráfico de maconha. No presídio, os maus-tratos são constantes, ainda mais porque Edson se torna líder de uma facção criminosa. Do lado de fora da cadeia,  Cristina (Naruna Costa), sua irmã, trabalha para o Ministério Público e acaba envolvida num jogo duplo, quando falsifica um documento para aliviar a pena de Edson. 

“Quando fomos falar sobre facções criminosas, tínhamos algumas linhas de como abordar o tema. Decidimos ter uma protagonista mulher e, para que ela estivesse no centro da trama, tinha de ser uma época sem telefone celular. Nos anos 90, as mulheres eram essenciais para entrar e sair dos presídios, passar recados, etc”, conta Morelli. 

Na trama, quando Cristina é pega pela falsificação de um documento oficial, ela opta por se infiltrar na facção para dar à polícia o paradeiro de Carniça (Pedro Wagner), parceiro de Edson no crime, que foge da prisão. Em troca, ela segue com sua ficha limpa. Porém, nada é tão simples quanto parece e, ao se reaproximar do irmão, Cristina começa a questionar suas escolhas e sua ética. Afinal, qual é o caminho certo? Para quem é a justiça? 

“A pergunta: ‘O que eu faria no lugar da Cristina?’ ecoa em mim até hoje”, diz Naruna. “Quando ela reencontra o irmão, essa ideia dela de justiça, de lei, de certo, ela vai se desfazendo. Existe a construção de uma conduta moral e a desconstrução de uma ideia de moralidade, quando ela descobre outra sociedade, outras realidades. E a gente, junto com ela, vai repensando tudo isso. Essa é a parte mais bonita e mais dolorida da Cristina”, defende a atriz. 

O Magazine já viu

Essa luta de Cristina com seus valores é um dos grandes destaques de “Irmandade”, cujos seis primeiros episódios já foram vistos pelo Magazine. Não há como fazer qualquer crítica negativa em relação à qualidade de produção da série. Porém, o tratamento excessivamente cinematográfico atrapalhou um pouco o ritmo da série. Mas bem pouco, pois Naruna consegue passar ao espectador essa tensão constante, o medo, a sensação de vulnerabilidade, tanto quando está perto dos criminosos, quanto do investigador Andrade (Danilo Grangheia). 

Há grandes sequências na série, como a que Cristina é levada ao esconderijo de Carniça para o “julgamento” de um suspeito de delação. Toda a cena é tensa e o desfecho, com a moça dançando coladinha com Ivan (Lee Taylor), membro da facção, dá um certo arrepio de nervoso. 

Seu Jorge também construiu seu Edson com alma. Ele defende bem seu personagem, tanto que o espectador fica com sentimentos bem contraditórios em relação a ele. 

“Irmandade” tem uma preocupação de não criar estereótipos e é bem-sucedida nesta missão. A série também deixa os maniqueísmos de lado e cria uma trama de suspense e drama, que levanta muitas questões sobre o sistema prisional, a justiça, o racismo e, sobretudo, a desigualdade social. 

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