Ir a um restaurante na pandemia é como usar camisinha na hora do sexo



Na minha cautelosa volta aos restaurantes de São Paulo depois de seis meses de reclusão, a mudança se escancara —literalmente— já à porta.

Num endereço sofisticado como o Evvai, na minha estreia nesta nova era, a hostess tem uma beleza que podemos apenas intuir. No lugar do sorriso aberto, há a dupla blindagem da máscara de pano e do capacete de acrílico. No lugar do gesto elegante apontando o salão, apenas um movimento imperioso empunhando o termômetro em formato de arma contra sua testa.

É uma noite cheia de estranhamentos. É preciso se acostumar com álcool em gel no lugar de graciosas flores ou velas no centro da mesa, com guardanapos de papel, com talheres que, limpos ou sujos, te acompanham a noite toda. Fora as vozes de garçons e sommeliers abafadas pelo pano e pelo acrílico, dando informações que mal escutamos.
Leia mais (10/22/2020 – 12h00)

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