Infectologista critica governador de MG sobre fala que “vírus tem que viajar”


Neste sábado (11), o comércio de várias cidades ficou mais movimentado do que o normal. Muitas famílias saíram em busca dos ovos de chocolate, o que pode significar uma triste prévia de que possivelmente neste domingo de Páscoa muitos se reunirão para os tradicionais almoços com trocas de ovos, desobedecendo as recomendações de isolamento social. 

Se colocando como um porta-voz de colegas da área da saúde, o médico infectologista, professor da Faculdade de Medicina da UFMG e membro dos comitês de enfrentamento do coronavírus da UFMG e da prefeitura de Belo Horizonte, Unaí Tupinambás, publicou um vídeo em suas redes sociais reforçando as principais medidas para se enfrentar a pandemia do coronavírus, mas também fazendo duras críticas ao posicionamento recente do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), quando disse que é necessário que o coronavírus “viaje um pouco”.

A declaração do governador foi dada na última quinta-feira (9) em uma videoconferência na qual ele avalia o fechamento do comércio nas cidades do Estado. Zema criticou a atitude de prefeitos que impuseram restrições ao comércio mesmo em cidades sem casos registrados de Covid-19. “São medidas que o prefeito resolveu adotar, e nós temos observado que em muitas regiões, em muitas cidades, os casos existentes, ou até a ausência de casos, não justifica o fechamento total do comércio, até porque nessa crise nós precisamos que o vírus viaje um pouco”, disse.

Tupinambás classificou como uma “fala irresponsável e mesmo criminosa do governador”. “Eu acho que ele tem que ser condenado, tem que ser responsabilizado por essa fala de que “o vírus tem que viajar”. Neste momento em que o mundo inteiro está fazendo um esforço para conter essa epidemia, o vírus não pode viajar. Ele tem que ficar quieto. Nós temos que eliminar esse vírus, o mais rápido possível. Nós temos que ganhar tempo”, reforçou o médico infectologista.

O médico ainda fez um apelo: “Então eu conclamo, faço um apelo a toda população de Minas Gerais, a seguir essas orientações, a não seguir a cabeça de políticos. Nessa hora eles têm nos atrapalhado bastante nesse enfrentamento”, complementou.

Conforme Tupinambás, pegando como exemplo as experiências de outros países, só há dois caminhos a seguir: o da vida e o da morte. “Tem um caminho que deu certo, o caminho da vida, de Wuhan na China, onde tudo começou. Wuhan tem 11,5 milhões de habitantes, no Estado de Hubei que tem quase 60 milhões de habitantes. Lá eles optaram pela vida. Fizeram o isolamento social, lavação de mãos, testagem, abriram dois hospitais com 1.000 leitos cada um e venceram a epidemia. Hoje Wuhan está colhendo esses frutos, as pessoas já estão começando a sair às ruas. A China, com 1.6 bilhão de habitantes, teve apenas 83 mil casos da Covid. O outro caminho é o caminho da catástrofe. É o que foi feito no Norte da Itália, com a abertura do comércio, sem isolamento social. Em Milão, por exemplo, que é uma cidade emblemática, o prefeito uma semana depois veio a público pedir desculpas a população por ter escolhido o caminho errado”, exemplifica.

Para o especialista, “felizmente o Brasil foi um dos últimos países onde todo esse processo começou”, por isso, segundo ele, “a gente está mais ou menos na terceira semana da epidemia, a ainda pode fazer frente a Covid-19”. Para isso, Tupinambás reforça que existem quatro potentes ferramentas para poder enfrentar essa epidemia: isolamento social para quem pode ficar em casa, lavar as mãos corretamente, o uso de máscaras para quem precisa de sair de casa e “lutar pela revogação da Emenda Constitucional 95, aquela que limita o investimento na saúde e na educação”.

RESPOSTA. Neste sábado (11), o governador Romeu Zema, escreveu em seu perfil no Twitter que no vídeo que está circulando na internet ele alertou  que o grande problema do coronavírus é um colapso no sistema de saúde. “Ou seja, muitas pessoas adoecerem em um curto espaço de tempo. Esse é o pico temido pelas autoridades de saúde! Conforme os especialistas, grande parte da população irá se infectar. Obviamente, o melhor seria conviver sem a doença. Porém, com o atual cenário e perspectivas, espera-se o contágio lento, de forma a amenizar a curva”, publicou.

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