Indústria 4.0

Na maioria dos países que costumam pensar uma geração à frente, existe uma enorme preocupação com a chamada “quarta revolução industrial”. Ela incorpora ao processo produtivo o uso das fantásticas novas tecnologias de informação e de inteligência artificial. Na velha indústria, a oferta em massa criava os produtos, mas limitava o poder de escolha da demanda. Na nova forma de organização da produção, há íntima interação entre a demanda individual e a estrutura produtiva que desde a origem gera o bem ou serviço que atende a uma particular demanda. As necessidades do consumidor individual controlam o processo produtivo.

Um exemplo cotidiano dessa modificação é testemunhado (mas não percebido) pela maioria dos adoradores de uma “boa cerveja”. Assiste-se a uma rápida multiplicação de minicervejarias (que ampliam a escolha do consumidor). Não é mais o fabricante em massa que impõe ao consumidor sua escolha, mas é o consumidor que controla a qualidade e a nova escala de produção.

O exemplo anedótico acima dá a dimensão da revolução que atinge a todos os setores industriais (cada vez menos separados dos serviços). Ela sugere que desde a produção de tecidos até o mais sofisticado bem de capital (“comoditizados”) passam a responder, instantaneamente, à necessidade de cada consumidor. O novo “mercado virtual” da “quarta revolução industrial” terá uma ligação imediata entre o consumidor final que especifica o que deseja e o produtor que vai atendê-lo diretamente.

Nos países preocupados com o problema (Alemanha, China, Coreia do Sul, Inglaterra, França e EUA) aprendeu-se que tal ruptura da “filosofia produtiva” dificilmente poderá ser feita sem o suporte de uma política industrial bem construída pelo Estado. Ela envolve uma microeconomia que ainda está para ser desenvolvida, pois a “oferta” e a “procura” não são independentes. É por isso que os economistas que misturam “ciência” com a ideologia “liberalista” devem ressignificar a “política industrial” e tomar cuidado com suas opiniões dogmáticas apoiadas num marginalismo em via falimentar.

No Brasil já temos alguns estudos sobre o problema. A Abdi (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e o Senai de São Paulo têm explorado o conceito de minifábricas integradas aos consumidores. Para quem tem interesse, creio que uma boa referência sobre o assunto é o magnífico livro do engenheiro Flavio da Silveira Bruno (“A Quarta Revolução Industrial do Setor Têxtil e de Confecção”, 2ª edição, da editora Estação das Letras e Cores) ou consultar o senhor Fernando Valente Pimentel, presidente da Abit.

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