Impunidade com a saúde


Passamos dos mais de cem dias de quarentena que, ao contrário do que muitos pensam, não quer dizer necessariamente 40 dias, e o vírus do coronavírus, esse inimigo invisível da humanidade, ainda não deu trégua. Em alguns lugares, dá sinais de desaceleração da contaminação, mas logo retoma a velocidade, resultado do desrespeito às medidas sanitárias necessárias para se evitar a propagação da pandemia.

Medidas simples, como o uso de máscara e o distanciamento social, são tratadas com desdém por quem se acha inatingível pelo vírus. Mas são essas medidas as únicas de que dispomos, enquanto nos laboratórios de todo o mundo a comunidade científica se desdobra para produzir uma vacina eficaz contra um vírus até aqui vencedor.

Enquanto desrespeitamos as regras sanitárias, assistimos a uma expansão descontrolada dos casos de contaminação, colapsando uma já carente e despreparada rede hospitalar, levando à morte milhares de brasileiros. Para agravar a situação, o país assiste atônito ao conluio entre políticos e empresários – sim, a corrupção não é coisa só de político, pois não existe o corrupto sem o corruptor – para assaltar o Estado, superfaturando produtos essenciais para salvar vidas. Ganham dinheiro sujo, com a morte. Alguns já foram pegos. Muitos continuam impunes. E impunes permanecerão todos. É assim o nosso Brasil.

Enquanto os corruptos e ladrões agem, nossas autoridades dão uma demonstração clara de despreparo. É certo que o mundo pouco conhece sobre o coronavírus. A ciência ainda está tateando, buscando respostas para muitas dúvidas. Mas isso não pode servir de desculpa para tantos desatinos de nossas autoridades. Insistimos em não mirarmos os exemplos de outros países que já viveram a fase que vivemos hoje. Insistimos na nossa prepotência e vamos cometendo erros.

Em várias cidades, foram postas em prática medidas de flexibilização mal pensadas, com resultados desastrados, mas ainda não mensurados. Em Belo Horizonte, por exemplo, ninguém tem uma explicação lógica para a reabertura dos chamados shoppings populares que provocaram aglomerações, enquanto shoppings como BH, Diamond e Pátio permanecem fechados, mesmo tendo todo um sistema de proteção implantados pelo grupo Multiplan que adotou as mesmas medidas em outras cidades, onde os estabelecimentos foram autorizados a funcionar.

Até quando vamos ficar perdidos, sem uma diretriz definida, assistindo ao afundar de uma economia que, já antes da pandemia, dava sinais de fraqueza, é a dúvida de todos nós?

O certo é que vai passando a hora de reagirmos, de tomarmos medidas mais consistentes para a retomada do desenvolvimento. Corretamente, o governo estendeu a ajuda emergencial de R$ 600 mensais por mais 60 dias aos mais carentes, embora muitos aproveitadores tenham sido beneficiados. Isso minora situações, mas não basta. É preciso muito mais. E esse mais só vamos alcançar com a mudança de comportamento dos governantes e da sociedade. A política precisa ficar para depois.

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