HQs: por onde começar a ler? – Por Isa de Oliveira – #temporadadetextos

Ao leitor iniciante na nona arte, uma dica primordial de leitura para começar a entrar nesse universo dos gibis

Em 2017, comecei a procurar por quadrinhos para ler, busquei por adaptações literárias como Grande Sertão Veredas com ilustração e roteiro de Rodrigo Rosa. O encantamento foi tanto que resolvi investir em uma pesquisa acadêmica sobre Histórias em Quadrinhos. Desde então, já se acumulam quase uma estante cheia de HQs. Tornou-se um caminho sem volta. As leituras das HQs proporcionam um respiro, um descanso das leituras mais densas e pesadas como teorias, bibliográficas, jornalísticas e até mesmo laborais.

Fonte: Biblioteca Eisner

Rememorando  quando tudo isso começou e desencadeou em uma paixão que, hoje, divido com outros gêneros como a prosa literária e a poesia. Ler quadrinhos não é só prazer, diversão, entretenimento, mas conhecimento, pois há HQs jornalísticas, biográficas e informativas.

Aos poucos fui descobrindo as conhecidas graphics novels das quais me identifiquei  mais que os tradicionais quadrinhos de publicação seriada, coleções e arcos dos quais nem sabia por onde começar. As graphics novels são histórias mais fechadas, não dependem necessariamente de um volume seguinte para continuar a narrativa. Isso me atraiu bastante, então foi por aí que comecei a ler quadrinhos.

As coleções ainda me deixam perdida, desorientada por vezes, porque quem é leitor mais antigo ou desde criança conhece as primeiras publicações, as origens de certos personagens e conseguem compreender as mudanças, evoluções e desdobramentos do personagem, ou seja eu teria que resgatar toda a trajetória dos personagens e as diversas publicações lançadas para compreender  o seu desenvolvimento ou ter uma bagagem histórica que eu não construí com a leitura do quadrinho. Então, eu me ative às graphics novels, foi nessa busca que descobri Will Eisner, o pai das graphics novels, ele será a indicação que considero essencial para todo leitor iniciante que quer se aventurar no gênero.

Will Eisner é considerado um dos grandes nomes dos quadrinhos do século e um dos maiores prêmios do gênero nos EUA leva seu nome como título, o Prêmio Eisner, que é considerado o oscar das HQs.

Seus trabalhos estavam esgotados e só se encontrava em bibliotecas, sebos ou coleções particulares. Recentemente, a editora Devir lançou dois grandes volumes com quase todas as narrativas do pai das Graphics Novels, a Biblioteca Eisner.

O primeiro volume traz a edição publicada em 1978 de Um Contrato com Deus, obra que definiu o termo graphic novel (novela gráfica ou narrativa gráfica) e se tornou referência para toda uma geração posterior de artistas sequenciais em todo o mundo. Juntamente a este volume temos A força da vida (1988) e Avenida Dropsie (1995). As histórias de Eisner são contos que relatam toda uma essência humana. O segundo volume, O Milagre da Vida reúne também Um Sinal do Espaço, Assunto de Família, Pequenos Milagres e a inédita Will Eisner Reader.

Falecido em janeiro de 2005, Eisner deixou um legado de mais de 70 anos de produção em quadrinhos com uma qualidade que até hoje ultrapassa os limites da crítica. Seu trabalho iniciado no período da Grande Depressão, em 1929, reflete de forma real a situação vivida por muitos judeus imigrantes nos EUA. Relatos de uma época histórica, em que retrata os processos de transformação que a sociedade estadudinense enfrentou, a fome, o desemprego, muitas perdas. Por esses motivos que seus trabalhos se tornaram memoráveis até os dias de hoje, uma obra atemporal.

Ainda dentro do panorama do autor, uma publicação que vale ler é Life in Pictures, da editora Criativo, em que é considerada uma obra autobiográfica do autor.

 

Eisner não fugiu ao segmento de personagens heróicos, criou o seu próprio herói, The Spirit, um combatente investigativo, na mesma linha de Batman. O personagem é um detetive policial que vive secretamente como um lutador, que tem o aval de um amigo chefe da polícia central da cidade, o comissário Nolan. Eisner reiventou um novo Batman, com ação, humor, aventura e romance.

Então, um autor de quadrinhos mais completo que Eisner eu desconheço, tão versátil e criativo, ele foi capaz de retratar em seus quadrinhos desde a realidade até a ficção com muita maestria e merece todas as reverências e ser lido por qualquer fã de quadrinhos. Então, se você quer entrar no mundo das HQs, leia Eisner, o resto… as descobertas trilharão seu caminho de leitor a partir daí.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


* Isa de Oliveira é doutoranda em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG, pesquisadora, poeta, resenhista e crítica literária, autora de “Intermitências” (Crivo Editorial, 2010), contagense e bookaholic que escreve para entender o mundo e se fazer entendida quando possível.


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