Horrípilo e quizilento



As recentes declarações em que Jair Bolsonaro redefine o sentido de ultraje contribuem para a aposentadoria dos covardes adjetivos “controverso” e “polêmico”, bem denunciados por Antonio Prata no domingo (28). Contudo, não é fácil a vida dos escribas. 

Palavras como desumano, insensível, sórdido, asqueroso, repulsivo, cruel, nojento, grotesco e torpe têm sido usadas na imprensa e nas redes, inclusive por uma parcela dos que se alinham (se alinhavam?) com o presidente.

Deixemos de lado as ponderações sobre até que ponto os sentimentos de indignação, horror e perplexidade traduzidos por essas palavras estão nos planos de Bolsonaro.

Se ele quer atiçar as paixões do núcleo mais ultradireitista e antidemocrático de seus apoiadores, ainda que ao preço de afastar a turma que não se enquadra no figurino alucinado, cabe a analistas políticos -ou psiquiátricos- especular sobre suas motivações, objetivos e chances de sucesso.

O próprio Bolsonaro estimula a interpretação de que ao metralhar disparates está só expressando seu eu. Invoca assim a valorização pervertida da “autenticidade” como valor máximo, um dos princípios que norteiam as redes sociais e seu culto ao amadorismo tosco.

“Sou assim mesmo, não tem estratégia”, declarou ao jornal O Globo na terça (30). “Se eu estivesse preocupado com 2022, não daria essas declarações.” Isso pode fazer sentido, mas não é o atormentado mundo interior do presidente o tema desta coluna.
Leia mais (08/01/2019 – 02h00)

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