Goleado na Câmara, governo olha as ruas

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Goleado de novo ontem na Câmara dos Deputados, quando viu o plenário aprovar com 307 votos contra 82 a convocação do ministro da Educação Abraham Weintraub para prestar esclarecimentos, o governo federal acorda hoje de olho nas ruas. O volume das manifestações em defesa das universidades vai dar uma ideia do tamanho do problema a ser enfrentado.

Não é segredo para ninguém que Bolsonaro hoje goza de péssimo conceito entre os parlamentares. Eles não engolem os discursos do presidente e de seus aliados próximos contra o que chamam de velha política. Por isso, fazem uma série de retaliações, mas sempre com um pé atrás, por conta da força popular de Bolsonaro.

Se as manifestações em defesa da educação mostrarem fôlego suficiente para abalar a imagem de prestígio do presidente, pode estar aberto aí um caminho sem volta. Basta lembrar dos caras pintadas contra Collor, e das manifestações de 2013 e que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff alguns anos depois.

Tais manifestações têm efeitos imprevisíveis. Na dúvida, para um governo, é melhor evitá-las. O ministro da Educação, porém, não teve sensibilidade política para lidar com as graves consequências de um contingenciamento nas verbas discricionárias da educação superior. Ontem, houve rumores de que o governo havia recuado. Até o momento em que essa coluna era gravada, desmentidos. Agora, o governo precisa ficar na torcida para que a oposição, os movimentos estudantis e os sindicatos não consigam se articular suficientemente para fazer barulho.

Se o governo sair dessa sem arranhões vai ser mais por incompetência de seus adversários do que por qualquer mérito de sua conduta em um assunto tão delicado.

Ouça o comentário do editor de Política Ricardo Corrêa:

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