Forte no Congresso, fraco fora dele



À saída de Weintraub soma-se o emudecimento gradativo da ala ideológica do governo (Salles, Araújo, Damares). O enfraquecimento dessa ala não implica maior instabilidade sistêmica do governo. Pelo contrário.

Ao rejeitar durante a campanha a barganha com partidos, o presidente havia atado as próprias mãos. O “palanque perpétuo” e a cacofonia eram a estratégia buscada para compensar a falta de base. Sua exacerbação levou ao enfrentamento com o STF, do qual a saída do ministro é consequência.

O principal indicador da mudança ocorrida é espacial, geográfico: “Até abril”, segundo o ministro da Secretaria de Governo, “nunca tinha conseguido reunir todos os líderes de partidos no Palácio do Planalto. Eles se encontravam na casa do Rodrigo Maia, presidente da Câmara. Agora mudou”. A barganha ganhou sede presidencial.

O testemunho do principal articulador do governo em relação ao fosso entre o Executivo e o Legislativo não podia ser mais eloquente, nem o método de trabalho mais insólito: “Tive de examinar o Diário Oficial e fiz alguns testes. Às vezes, mandava exonerar um funcionário que ocupava um cargo de comissão apenas para descobrir quem o havia indicado. No máximo, em 48 horas o parlamentar me ligava: ministro, aqui é o senador ou deputado fulano. O que houve? Põe de volta… Aí, eu sabia que o cargo era do fulano”.
Leia mais (06/21/2020 – 23h15)

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