Família de presa por injúria racial diz que ela sofre transtornos psíquicos


A família de Natália Burza Gomes Dupin, 36, presa na última quinta-feira (5) suspeita de cometer injúria racial contra um taxista no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, divulgou neste domingo (8) um pedido de desculpas. A nota, assinada pelos irmãos da mulher, diz que ela sofre transtornos psíquicos. Natália foi liberada da prisão neste sábado (7) após pagar fiança de R$ 10 mil.

Na nota, os familiares dizem que sentem muito pelo ocorrido com a vítima, o taxista Luís Carlos Alves Fernandes. “Pedimos sinceras desculpas àqueles que sofrem preconceito diariamente em nosso país. Podem ter certeza, doeu em todos nós. Racismo é um a realidade brutal e inaceitável”, diz o texto.

Segundo os irmãos de Natália, ela foi diagnosticada com transtornos psíquicos há anos e, nos últimas semanas, a família estaria tentando uma vaga em um hospital psiquiátrico. “Sabemos que alegar doença mental no nosso país é algo que foi banalizado. Não é esse o caso. Nossa irmã já tentou suicídio por diversas vezes, já agrediu de forma física e moral muitas pessoas, inclusive sua própria família, que é quem a protege e a ama (independentemente da cor, orientação sexual, crença etc). Já foi internada, já recebeu eletroconvulsoterapia”, afirmam.

Ainda de acordo com a família, a doença produz mania de perseguição e causa comportamento agressivo e imprevisível. “Só quem tem alguém próximo com essa doença pode entender a dor que passamos há anos e estamos passando agora. Pedimos compaixão. Precisamos falar sobre racismo. Também precisamos falar sobre transtornos psíquicos que atingem de forma universal milhões de pessoas”, diz o texto.

Natália foi indiciada pela Polícia Civil por injúria racial, tipificação aplicada em casos de ofensas direcionadas a alguém e que valem-se de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem. Ela também foi autuada por desacato, desobediência e resistência contra os policiais militares.

O taxista Luís Carlos Alves Fernandes, de 51 anos, estava no ponto de táxi na avenida Álvares Cabral quando foi vítima de racismo. Ele perguntou à suspeita se ela precisava de uma corrida, e Natália respondeu que “não anda com negro”. Ela ainda disse ser racista e cuspiu na vítima. A mulher vai responder ao processo em liberdade.

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