Euclides e Machado



Euclides da Cunha, autor homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) que acaba de começar, é o principal concorrente de Machado de Assis ao posto de maior escritor brasileiro da história (no encalço deles vem o “jovem” Guimarães Rosa, filho artístico de Euclides e recém-nascido quando Machado fez a travessia).

Colegas na Academia Brasileira de Letras, Machado e Euclides são de gerações diferentes, mas menos de um ano separa suas mortes: a do primeiro em setembro de 1908, aos 69 anos; a do outro prematura e trágica, em agosto de 1909, aos 43, quando o amante de sua mulher o abateu a tiros em legítima defesa. 

Em muitos aspectos, são antípodas perfeitos. Machado é contido, apolíneo, cético, irônico, hiperconsciente das questões de gosto -traços que, nas palavras maldosas de Gilberto Freyre, às vezes faziam dele um “subinglês”.

E Euclides? Bem o contrário: declamatório, dionisíaco, genioso, pedante, meio doido, crentíssimo na ciência e dono de uma linguagem tão convulsa quanto a natureza que retratava -um estilo “esplendidamente barroco”, segundo Freyre.

Um gênio prenunciava a bossa nova; o outro, o tropicalismo. Numa coisa se encontravam: na ambição de superar o insuperável -o acanhamento do pé-direito artístico decretado pela posição cultural periférica do Brasil.
Leia mais (07/11/2019 – 02h00)

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